O ano era 2014. Iniciei meu pós-doutorado em Montreal, no Canadá. Foi um momento muito aguardado e para o qual me preparei por um longo período. Para seguir com o projeto, fiz durante muitos meses aulas diárias de inglês, escrevi um projeto de pesquisa, busquei apoio financeiro com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por intermédio do Programa Ciências sem Fronteiras e, também, obtive apoio da universidade, na qual trabalhava.

Muitas pessoas auxiliaram nesse processo, a exemplo do meu orientador de doutorado, que possuía uma vasta rede de contatos, o que me ajudou a estabelecer os laços para o projeto e, também, para a estadia no exterior. Amigos e profissionais contribuíram desde o início do processo, com dicas para obtenção de visto, moradia e informações acerca da nova rotina. Consegui ainda ter ao meu lado, nessa fantástica experiência, a companhia da minha esposa e de meus filhos.

Mas por que contei tudo isso até aqui? Porque se você deseja ter uma experiência no exterior, o primeiro passo, na minha perspectiva, é se preparar para ela! Até aqui, você já poderia começar a se questionar em que um intercâmbio, por exemplo, poderia lhe tornar um profissional e uma pessoa melhor. É nesse sentido que tecerei comentários em torno do que visualizo, especialmente, no cenário dos dias atuais.

Como primeiro ponto, destaco o rápido desenvolvimento que você terá no idioma. Como só será possível se comunicar no idioma local, seja na empresa, universidade, comércio, transporte ou qualquer outro ambiente que você tiver acesso, isso, automaticamente, lhe conduzirá a uma maior fluência, o que é muito valorizado no mercado, ainda mais em empresas que possuem unidades em outros países. Muitas vagas, hoje, têm como imperativo se comunicar, por exemplo, em inglês. Outro ponto é que a pandemia causada pela Covid-19 abriu ainda mais as fronteiras do mundo. Atualmente, temos estudantes da Católica de Santa Catarina e também egressos que trabalham no Brasil, porém, para empresas no exterior, o que reforça essa realidade.

Destaco também a valiosa vivência em um ambiente com uma cultura diversa daquela que fomos educados. Montreal, especificamente, é um ambiente de muita diversidade. Convivi na universidade com pessoas do Oriente Médio, China, Europa, América do Norte e, é claro, da América do Sul. A cidade, em si, funciona como um grande centro de mistura de culturas, o que faz com que o respeito a diferenças religiosas, de costumes ou de alimentação sejam um convite ao aprendizado e respeito mútuo. Ou seja, um ambiente de crescimento intelectual e social, onde todos saem ganhando. Lidar com tudo isso é banir qualquer preconceito que, eventualmente, se tenha e talvez a maior lição que um intercâmbio pode trazer para nossas vidas.

O terceiro ponto que saliento é voltado à adaptabilidade de maneira rápida. Quando me estabeleci com a minha família, lembro que um dos primeiros locais que visitamos foi o supermercado. E, nesse exato momento, eu me deparei buscando itens que, simplesmente, não existem no portfólio de produtos do novo país. Esse é o momento inicial de adaptação, pois sua cozinha jamais será a mesma e você não pode sofrer com isso, visto que é uma mudança necessária. Poderia citar muitos outros processos pelos quais passei, como: não ter um carro, usar transporte público, andar de mochila e precisar estar sempre com muitos casacos pesados. Para quem viaja, a trabalho, estudos, ou lazer, adaptação é sempre palavra de ordem! E essa é uma valiosa habilidade no momento atual, pautado em incertezas e grandes transformações.

Poderia continuar relatando acontecimentos e desafios pelos quais passei, nessa fase da minha vida, porém, posso resumir, afirmando que um intercâmbio vai te tornar uma pessoa mais autônoma, resiliente e emocionalmente robusta. Seus amigos, colegas de trabalho e família não estarão próximos para dar aquele apoio nas dificuldades, ou seja, você terá que se organizar com o que tem e ter autonomia para resolver as dificuldades que aparecerem, com aquela pitada adicional de desafio de um idioma estrangeiro. Tudo terá de ser feito sem deixar que o estresse tome conta, o que irá te fortalecer.

O que mais você ganhará com o intercâmbio? Amigos em um outro país, ou seja, um networking, que poderá ampliar possibilidades de projetos ou de colocação no mercado de trabalho. Aprender de formas diferentes por intermédio de projetos em espaços de alta tecnologia que inspiram o desenvolvimento de inovações. E, tantas outras realizações, que farão a diferença na sua carreira.

E, agora pergunto: você já se imaginou em um intercâmbio? Deixarei aqui o desafio de colocar isso na sua lista de metas e eleger como uma prioridade, pois, na minha opinião, a experiência vale cada minuto investido. Para ajudar você a chegar lá, na Católica de Santa Catarina, temos um Programa de Intercâmbio Acadêmico em parceria com a PUCPR para estudantes de graduação presencial, que poderão ter uma experiência internacional por um período de seis meses. Estude conosco e, quem sabe, em breve, seu próximo destino seja o Japão, Holanda, Itália, México, França, Polônia, Coréia do Sul, Finlândia, Bélgica ou um dos 18 países que estão de portas abertas com suas excelentes universidades para acolher nossos estudantes. Eu garanto que esse carimbo no seu passaporte irá mudar sua vida, trazendo crescimento profissional e, acima de tudo, desenvolvimento pessoal.

Palavra do reitor Cleiton Vaz Católica SC

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