Olá, tudo bem? Hoje sou eu, Reiner Modro, que recebi o desafio de falar em nome da Católica de Santa Catarina, em virtude do aniversário de 48 anos, que será celebrado no dia 31. Tive a satisfação de fazer parte do início desta história e, por isso, vou compartilhar aqui um pouco do que vi e vivi nesses saudosos anos.

No início da década de 1970, eu estava ajudando o padre Elemar no começo do movimento para criar a primeira instituição de ensino superior em Jaraguá do Sul. Ele teve essa força de vontade, essa intuição da necessidade. Foi sensível a isso. Era um líder muito respeitado, com quem tive o privilégio de conviver. Fizemos algumas visitas juntos para buscar apoio financeiro e logístico.

Quando surgiu a primeira turma de Estudos Sociais da Ferj (Fundação Educacional Regional Jaraguaense), que foi a de 1975 – 1978, fiz o vestibular e entrei. Além disso, fui eleito como o primeiro presidente de Diretório Acadêmico. Durante três anos, representei os alunos junto ao corpo docente e trabalhei na organização de eventos, com a intenção de angariar fundos para fomentar a continuidade das atividades e criação de novos cursos. Também fiz parte da primeira turma de pós-graduação da Ferj, que era de Administração, no fim da década de 1970. O curso foi feito em convênio com a Esag (Escola Superior de Administração e Gerência), de Florianópolis, por dois anos, nos fins de semana.

Na formação de Estudos Sociais, as aulas eram muito prazerosas, verdadeiras conferências. Se você verificar a frequência dos alunos naquele curso, chegava próximo de 100%. As questões não ficavam em aberto, pois tínhamos professores extremamente capacitados e renomados. O padre Elemar trouxe para o curso profissionais que iam muito além das necessidades do conteúdo programático, como o Gilio Giacomozzi, o padre Pedro Canísio Rauber e o João Joaquim Fronza. O próprio padre Elemar lecionava Direito Privado e Direito Público. Durante as aulas do Orlando Maria Murphy, por exemplo, que ensinava Sociologia, se voasse uma mosca, garanto que todo mundo iria escutar, pois a atenção era total. Foi uma pessoa que marcou muito a minha vida.

Outra matéria memorável e extremamente útil foi a Metodologia Científica. Eu escrevi dois livros: “Administração Espacial” e “Instrumentos de Gestão”, em parceria com um professor de Curitiba. Para escrevê-los, é preciso ter uma metodologia.

Atualmente, me dedico a uma atividade que antes a vida profissional mais intensa não permitia: a de acordeonista. Há 11 anos, faço parte da banda Musical JS. Além disso, presto consultorias, com programas específicos que hoje eu uso nas empresas. Nos anos 1970, a WEG, onde eu trabalhava, trouxe um especialista, um engenheiro austríaco, o professor Valter, que implantou o modelo de Gestão Participativa. Eu fui o primeiro coordenador de comitê deste sistema e consegui absorver bem o conteúdo. Ao longo dos anos, fui praticando e criando um manual. Hoje estou com esse sistema formatado e trabalhando para desenvolver um software de gestão participativa. A metodologia científica ainda me ajuda muito, pois estou fazendo o pré-projeto deste software para entregar a um programador as telas prontas e organizadas, para o desenvolvimento do código.

Os conhecimentos que construí na década de 1970, na Ferj, me acompanham até hoje e, alguns deles, como a Metodologia Científica, fiz questão de transmitir aos meus familiares, que mantiveram o nome da família presente no ensino superior jaraguaense. O meu filho se formou na Católica SC, em Engenharia Elétrica, o Henrique Modro. A minha filha, Leila Modro, é egressa da primeira turma de Direito, se formou com méritos e passou no exame da OAB logo na primeira prova que realizou. Agora o meu netinho, o Matheus Modro Krueger, está fazendo Engenharia de Software na Católica SC.

Palavra do egresso: Reiner Modro foi pioneiro na presidência do Diretório Acadêmico da Ferj e aluno das primeiras turmas de graduação, de Estudos Sociais, e de pós-graduação, de Administração.