Foto Divulgação
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A ciência não é uma verdade absoluta, mas contra fatos, não há argumentos. Os excessos de evidências sobre os malefícios do repouso na dor lombar é mais que suficiente para poder afirmar que a aplicação do repouso na dor é coisa do passado, e deveria ser aposentado por todos aqueles que ainda acreditam na sua eficácia.

Vou falar da dor na lombar especificamente, mas esta afirmação deve ser abrangente para outras regiões do corpo. Numa última pesquisa realizada, entre todos os métodos testados, apenas os exercícios físicos adequados, e atrelados a orientações de profissionais qualificados, conseguiram diminuir as dores lombares de forma eficaz.

Os cientistas ainda ironizaram dizendo que se o medicamento e o repouso reduzissem a incidência de dor lombar na mesma magnitude que os exercícios, só veríamos publicidades de colchão e medicamento na televisão.

Baseado nisso pode-se dizer que as estratégias que imobilizam as vértebras através de coletes e cintas, visando impedir uma nova crise de dor também não é positivo.

Não é ficando deitado ou imobilizado, que vai evitar outro episódio de dor na lombar. É muito melhor ocupar-se de uma quantidade limitada de atividade física do que ficar deitado. Nosso corpo obedece a três leis, a leis: do conforto, do equilíbrio e da economia.

Se para ter conforto é necessário buscar posturas compensatórias, para não ter dor, o corpo vai se ajustar a isso. Essas alterações vão afetar diretamente as curvaturas fisiológicas da coluna, e o corpo, para se manter em equilíbrio, vai modificando sua estrutura para se manter em pé.

Perde força, tensiona os músculos e diminui sua mobilidade criando rigidez. A economia deve ser soberana, e os ajustes são feitos, mesmo que para isso ocorra desequilíbrio postural e mecânico para se manter com menos gasto energético.

O corpo busca se adaptar para sofrer o menos possível, e gera um ciclo vicioso. Quando a dor aparece é porque esgotou todas as condições de compensações, e não há mais conforto nem economia com excesso de desgaste.

A dor fica crônica e os episódios de crise são constantes. É assim que o nosso corpo funciona. Ficar em repouso não muda esta condição, apenas mantem um quadro cheio de alterações, permitindo sua evolução e prolongando o sofrimento.

A falta de movimento gera mais dor e esta dor só será curada quando romper o ciclo vicioso através de movimentos. A nossa vida mudou muito, somos muito inertes no nosso dia a dia e precisamos fazer exercícios para devolver a mecânica corporal funcional.

Portanto, é necessário abrir a mente para esses novos conceitos. Hábitos incorretos são responsáveis pela maioria de nossas doenças, se não por todas elas. O que temos que ter é coragem e tratá-las com sabedoria e conhecimento. Joseph Pilates foi um homem à frente de seu tempo, que apreciava a arte do movimento, que dedicava seu tempo estudando o corpo humano.

Ele afirmava, com muita sabedoria, que um corpo livre de tensão e fadiga é o abrigo ideal para uma mente bem equilibrada, totalmente capaz de atender, com sucesso, todos os complexos problemas da vida moderna.

O ideal é que os nossos músculos obedeçam à nossa vontade. A nossa vontade não deve ser dominada pelas ações reflexas de nossos músculos. A aptidão física é o primeiro requisito da felicidade.

Nossa interpretação da aptidão física é a obtenção e manutenção de um corpo uniformemente desenvolvido, com uma mente sã plenamente capaz de realizar satisfatoriamente as nossas muitas e variadas tarefas diárias com entusiasmo espontâneo e prazeroso.

Ficar em repouso só é aceito em casos extremos, e por pouco tempo. Faça da sua vida um constante movimento.