Dois homens condenados pela Justiça por crimes sexuais contra crianças e adolescentes surdos permanecem detidos no presídio de Jaraguá do Sul. As sentenças foram proferidas nesta terça-feira (29), após uma investigação conduzida pela Delegacia de Proteção a Crianças, Adolescentes e Idosos do município, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Um deles foi presidente da Associação de Surdos de Jaraguá do Sul e recebeu pena de 29 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, e pelo artigo 218-B, relacionado à exploração sexual de pessoa vulnerável.
O segundo homem foi condenado por estupro de vulnerável envolvendo duas vítimas. A Justiça fixou a pena em 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, também em regime inicial fechado.
Os dois haviam sido presos preventivamente em abril deste ano e permaneceram detidos durante o andamento do processo. Somadas, as duas condenações chegam a mais de 54 anos de prisão.
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O início das investigações
De acordo com o delegado Augusto Brandão, da Delegacia de Proteção a Crianças, Adolescentes e Idosos de Jaraguá do Sul, a investigação começou depois que uma das vítimas, atualmente com 28 anos, denunciou os abusos, que teriam começado quando ela tinha menos de 14 anos. O inquérito também reuniu relatos relacionados a possível intimidação e chantagem emocional.
Durante a investigação, outras vítimas procuraram a delegacia para denunciar abusos praticados pelos dois homens, que também são surdos. Ao longo da apuração, pelo menos cinco vítimas foram identificadas. Conforme os relatos reunidos pelo delegado responsável pelo caso, os suspeitos teriam oferecido dinheiro em troca de atos sexuais.
O delegado Augusto Brandão destacou o trabalho realizado para ouvir as vítimas e reunir elementos que pudessem contribuir para a investigação.
“Quero registrar aqui meu agradecimento a todas as advogadas que acompanharam as vítimas, bem como as intérpretes, que auxiliaram essas vítimas, tornando possível coletar todas as provas durante a investigação”, afirmou.
Decisão ainda pode ser contestada
As condenações estão sujeitas a recurso. Conforme as informações divulgadas sobre o caso, entretanto, os dois homens permanecem presos em regime fechado.
A defesa dos condenados não foi localizada até a publicação das informações utilizadas para esta matéria. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.