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Projeto Escola Sonora leva apresentações gratuitas a estudantes da Grande Florianópolis

Foto: Amanda Ramos

Por: Ewaldo Willerding Neto

29/06/2026 - 11:06 - Atualizada em: 29/06/2026 - 11:23

Toda criança carrega uma memória sonora. A voz de alguém querido. Uma cantiga repetida muitas vezes. O barulho da chuva na janela. As palmas de uma brincadeira. O som dos passos no corredor da escola. Antes de compreender partituras, notas ou instrumentos, a criança já escuta o mundo e responde a ele.

É desse lugar sensível, onde a música encontra a infância de um jeito espontâneo, que o Escola Sonora – Transformando vidas através da música segue sua temporada de 2026. O projeto leva apresentações gratuitas a 25 escolas públicas da Grande Florianópolis, totalizando 50 apresentações até dezembro, sempre nos dois períodos de aula, para que mais estudantes possam viver essa experiência.

Nesta 7ª edição, o projeto se inspira na obra de Hermeto Pascoal, artista brasileiro que ensinou o país a encontrar música nos sons do cotidiano. Em seu universo criativo, a água, os objetos, a natureza, a voz, o corpo e o ambiente também se tornam composição. Nas escolas, essa inspiração chega em uma linguagem próxima, lúdica e possível. A criança é convidada a perceber a música no que toca, na escuta, na imaginação e no sentir.

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Durante as apresentações, os estudantes participam de um encontro com os sons, com os colegas, com os artistas e com a própria curiosidade. A musicalização aparece como presença, como uma pausa no cotidiano da escola para lembrar que aprender também passa pelo corpo, pela escuta, pela emoção e pela possibilidade de criar.

Pesquisas nas áreas da educação e da neurociência têm apontado a importância da participação ativa em experiências musicais na infância. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychology, conduzido por pesquisadores da Northwestern University, observou que o envolvimento prático com a música pode contribuir para o desenvolvimento da linguagem e da escuta em crianças, especialmente quando elas participam ativamente da experiência, e não apenas ouvem passivamente.

Para a idealizadora do projeto, Elena Ribeiro, levar música para dentro da escola pública é também um gesto de cuidado. “A gente nunca sabe exatamente o que uma apresentação vai despertar em uma criança. Às vezes é uma pergunta, às vezes é um brilho no olhar, às vezes é a descoberta de que ela também pode criar. O Escola Sonora nasce desse desejo de chegar perto, de mostrar que a música pode estar na sala de aula, no corpo, na voz, no som de um objeto, na escuta de cada criança. Quando a música entra na escola, ela abre um espaço muito bonito de encontro”, destaca.

A acessibilidade também faz parte desse compromisso. As apresentações contam com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para que estudantes surdos possam acompanhar, compreender e participar da experiência artística. A presença da Libras amplia o alcance do projeto e reforça a ideia de que o acesso à cultura deve considerar diferentes formas de comunicação, de presença e de pertencimento.

Para a intérprete de Libras Jéssica Cardoso, da InterPrêta, a acessibilidade altera a forma como a criança vivencia aquele momento. “Quando existe Libras, a criança surda não está apenas no mesmo espaço. Ela entende, acompanha, interage e se reconhece como parte do que está acontecendo. A arte também é lugar de pertencimento. E quando a escola inteira vê essa acessibilidade acontecendo, todos aprendem um pouco mais sobre respeito, presença, diversidade e inclusão”, afirma.

Ao longo do ano, o Escola Sonora segue sua circulação pelas escolas da Grande Florianópolis levando música, escuta e imaginação a estudantes que, muitas vezes, têm ali um dos primeiros contatos com uma apresentação artística pensada especialmente para eles. Em cada escola, o projeto deixa uma lembrança. Um som que pode continuar ecoando depois que os instrumentos são guardados.

“Porque musicalizar uma criança também é oferecer a ela outra forma de perceber o mundo e de se perceber nele”, finaliza Elena.

Com circulação gratuita ao longo do ano letivo, o Escola Sonora aproxima arte e educação de uma forma simples e profunda: criando encontros. Em cada apresentação, a música chega como um convite para ouvir melhor, imaginar mais e perceber que a criação pode nascer dos sons que já fazem parte da vida. O projeto é realizado por Elena Ribeiro Produções Ltda., por meio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC), do Governo do Estado de Santa Catarina, pela Fundação Catarinense de Cultura, com incentivo de La Fontaine e Bistek Supermercados.

Próximas apresentações

30 de junho
EEB Prof. Oswaldo Rodrigues Cabral
Bela Vista, São José

08 de julho
CEM Governador Vilson Kleinubing
Forquilhas, São José

14 de julho
NEM Professora Verônica Guesser Pauli
Rachadel, Antônio Carlos

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.