Cerca de 20 obras, entre objetos, instalações de parede e pinturas integram a exposição “Algo Sobre a Solidão” da artista Elke Coelho que será aberta às 19h da quinta-feira, dia 25 de junho, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Antes da abertura da mostra inédita e que será apresentada pela primeira vez na cidade, acontece uma Roda de Conversa com a artista. Esse encontro começa às 18h. A entrada é gratuita.
A artista, que também é responsável pela concepção da mostra, compartilha que tanto as instalações de parede quanto os objetos são compostos por meio da repetição e acumulação de objetos de uso cotidiano de pequeno porte, como cotonetes, alfinetes, flores ornamentais, bolinhas de “pérola”, guardanapos de papel, recipientes de vidro, cápsulas de comprimido, entre outros. Já as pinturas são realizadas com pastel oleoso sobre papel.
Elke destaca ainda que a temporalidade distendida está presente na exposição e perpassa a maior parte dos processos dos trabalhos que serão expostos. Um exemplo é a obra “Ferida” que apresenta mais de duzentas mil flores sempre-viva vermelhas que foram organizadas em cerca de 550 caixas de acrílico, algo que envolveu mais de cem horas de trabalho no decorrer de oito meses. Já em “Deserto”, as quase trinta mil pontas de cotonetes foram selecionadas, cortadas e organizadas em grades plásticas, uma a uma, o que demanda horas a fio de trabalho.
“Experiências similares, em termos de artesania, se aplicam a maior parte dos meus trabalhos e essas práticas manuais demandam um tipo de temporalidade que vai na contramão do fluxo contemporâneo. Sendo a rapidez, desde a instalação do capitalismo, entendida enquanto qualidade, a morosidade torna-se, neste tipo de sociedade, uma debilidade”, compartilha.
A mostra “Algo Sobre a Solidão”, que poderá ser visitada até 13 de agosto no Espaço Fernando Beck, foi selecionada no Edital de Exposições 2026. A visitação na Fundação Cultural Badesc, que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, pode ser feita de segunda a sexta, das 13h às 19h e das 10h às 16h, aos sábados.
“Para mim, em termos conceituais, ter sido selecionada, dentre tantas propostas de vários lugares do país, foi uma grande honra. E espero que, por algum motivo, o que será exibido faça sentido para quem visitar a exposição”, completa a artista.
Sobre artista

Foto: Divulgação/Fundação Badesc
Pesquisadora, artista e professora no Departamento de Arte Visual da Universidade Estadual de Londrina (UEL/PR). Possui mestrado em Artes Visuais pela UFRGS (2009) e doutorado em Artes Visuais pela USP (2014). Participa, desde 2005, de exposições individuais e coletivas. Uma das organizadoras do livro Cartografias Cotidianas (2011), e autora da trilogia que abarca Coisas de Iracema (2017-2020-2023). Sua produção é caracterizada pelo emprego de objetos de uso cotidiano, bem como por procedimentos de repetição e acumulação.