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Velha inimiga, novas ameaças

Por: Andreia Chiavini

15/05/2026 - 10:05 - Atualizada em: 15/05/2026 - 10:35

Quem nunca sentiu dor na vida, seja ela de cotovelo, de amor, de joelho, de cabeça… Todos nós já vivenciamos um pouquinho dela em algum momento da vida. Mas antes de falar sobre ela, é preciso entender como funciona o mecanismo da dor no corpo. Ela é fundamental na nossa vida, já que se trata de um sinal de alerta que avisa o nosso cérebro que estamos em perigo, nos previne de lesões e ajuda a promover a cicatrização.

Quando recebemos um estimulo externo, ele se transforma em um impulso elétrico que caminha até o cérebro, onde o sinal será interpretado como bom ou ruim, de acordo com a nossa memória e as nossas emoções. No caso da dor crônica, quando o estímulo doloroso se mantém por muito tempo, é como se o cérebro aprendesse e ficasse melhor ao sentir dor. A pessoa vai então desenvolvendo memórias ruins, ansiedade e medo, e essa receita faz com que o cérebro continue em alerta e a dor aumente.

E é aí que mora o perigo. A velha inimiga traz novas ameaças. Essas dores vêm acompanhadas de muitas alterações emocionais, pois a dor nunca é só física. As emoções, pensamento, fatores como ansiedade, medo e estresse modulam a intensidade da dor. O cérebro acredita que está em perigo o tempo todo e continua a enviar sinais dolorosos, apesar de não haver mais nada de errado com o corpo, ou não sendo condizente com o que o corpo apresenta.

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E isso interfere profundamente na vida, na motivação, nas relações e no trabalho. O grande problema é que além de se tornar um novo normal, se acostumar com a dor, sempre que se busca sair deste costume, desta “zona de conforto” do cérebro, ele emite mais sinais de dor, levando a pessoa a buscar repouso e não movimento. Como dizia William Shakespeare: “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. E é ali que a coragem entra. Coragem para olhar para dentro, reconhecer o que já não faz sentido e abrir espaço para o novo, mesmo sem saber como será e o que virá. A mudança assusta porque nos tira do conhecido, do previsível, mas é justamente ali, no desconhecido, que as mudanças acontecem de verdade.

Até porque essa “zona de conforto”, não é um lugar confortável no sentido bonito da palavra. É apenas aquilo que se conhece, que sabemos como reagir, como fugir, como pensar, como nos defendermos. Não existe paz, existe costume. E isso é perigoso, pois acostumar com algo, é acomodar-se, com medo de agir e sair do lugar. Existe como mudar, como fazer diferente, como encontrar soluções. As portas estão ali para serem abertas, e isso só acontece quando aceitamos nos deslocar e abri-las. É ali que crescemos, que aprendemos, que descobrimos novas versões de nós mesmos. Isso requer tempo, paciência e muita disposição. E quando damos o primeiro passo, mesmo pequeno, o universo conspira a favor. Para termos uma vida nova, precisamos renunciar ao velho modo de se colocar diante das situações.

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Andreia Chiavini

Fisioterapeuta especialista em Fisiologista do Exercício e Certificada em Pilates, TRX e RPG. Crefito: 77269-F.