O transplante de órgãos é um dos maiores avanços da medicina moderna, oferecendo uma segunda chance de vida para pacientes com falência irreversível de órgãos vitais. A substituição de um órgão doente – como coração, rins ou fígado – por um saudável vindo de um doador vivo ou falecido, além de salvar vidas em casos críticos, é um ato de imensa generosidade e solidariedade humana.
Além da simples sobrevivência, o transplante devolve autonomia e qualidade de vida ao receptor. Pacientes que antes dependiam de máquinas, como na hemodiálise, ou que enfrentavam limitações físicas severas, trabalhar, praticar esportes e conviver plenamente com seus entes queridos.
No caso de doadores falecidos, a doação transforma o luto de uma família na esperança de vida para outra.
Mas isso nem sempre foi assim, no passado havia sérias dificuldades para a doação de órgãos.
Havia uma regra chamada de “doação presumida” que transformava todo mundo em doador, a não ser que registrassem no seu documento de identidade que não eram doadores.
Isso criava muitos conflitos éticos e provocava a resistência das famílias, que se recusavam a doar os órgãos de seus entes queridos falecidos.
Em dois mil e um, quando exercia o mandato de Deputado Federal, fui o Relator da Lei 10.211/2001, que alterou a legislação de transplantes no Brasil, alterando aquela regra.
A nova lei passou a exigir o consentimento das pessoas ou dos familiares para a doação de órgãos. A mudança para o modelo de “consentimento informado” trouxe mais transparência e permitiu a criação do Registro Nacional de Doadores, que ajudou a aumentar os índices de doação no Brasil.
Hoje, fazemos mais de trinta mil transplantes por ano, 85% deles pelo SUS que, diga-se de passagem, é o maior sistema de saúde pública do mundo.
Essa estrutura legal, feita em 2001, até hoje é a que rege o sistema de transplantes brasileiro, considerado um dos mais avançados do mundo.
Ter participado dessa conquista é um grande orgulho para mim, como médico e político.