O reservatório da Usina de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, possui cerca de 1,3 mil km², com quase 170 km de extensão e largura média de 7 km. Além da geração hidrelétrica, que pode chegar a 14 mil megawatts (MW), a área também vem sendo utilizada para testes com energia solar. Um projeto experimental instalou 1.584 painéis fotovoltaicos sobre o lago, ocupando menos de 10 mil m², com capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), suficiente para abastecer cerca de 650 residências. A iniciativa funciona como laboratório para avaliar impactos ambientais e técnicos, como efeitos na água, nos peixes e na estabilidade da estrutura.
O objetivo é estudar a viabilidade de ampliar esse modelo no futuro. Segundo especialistas da Itaipu, em um cenário teórico, a cobertura de 10% do reservatório com placas solares poderia gerar energia equivalente a outra usina de Itaipu. Apesar disso, a expansão depende de estudos e possíveis mudanças no tratado entre os dois países. Estimativas iniciais apontam que levaria cerca de quatro anos para alcançar uma geração solar de 3 mil MW. O projeto piloto contou com investimento de cerca de US$ 854,5 mil e foi executado por um consórcio binacional.
A usina também investe em outras fontes renováveis por meio do Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu, que reúne pesquisa e inovação tecnológica. Entre os projetos está o desenvolvimento do hidrogênio verde, produzido por eletrólise da água sem emissão de carbono, com potencial de uso industrial e no transporte. O centro também apoia testes de veículos movidos a hidrogênio e apresentou, por exemplo, um barco sustentável utilizado na coleta de resíduos em comunidades ribeirinhas.
Além disso, Itaipu desenvolve soluções com biogás e biocombustíveis a partir de resíduos orgânicos. Em quase nove anos, mais de 720 toneladas de materiais foram transformadas em biometano, suficiente para abastecer veículos por cerca de 480 mil quilômetros. A usina também pesquisa o bio-syncrude, um óleo que pode ser usado na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), reforçando o foco em alternativas energéticas mais limpas para o futuro.