Um relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, na sigla em inglês), divulgado em junho de 2023, mostra que um em cada quatro países restringem de alguma forma o uso de aparelho celulares nas escolas, incluindo a Finlândia, cuja educação é considerada uma das mais avançadas do mundo, obtendo sempre as primeiras colocações em todos os rankings mundiais de qualidade do ensino.
Também no ano passado, foram divulgados os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) de 2022, mostrando que os celulares e aparelhos eletrônicos têm um grande impacto na capacidade dos alunos prestarem atenção nas aulas. Com isso, proibições parciais ou totais de uso do celular são tema de debate e norma entre escolas particulares e públicas no Brasil e no exterior.
A utilização do celular nas escolas de Jaraguá do Sul
Em Santa Catarina, a Lei nº 14.363/2008 proíbe o uso de telefone celular nas salas de aula das escolas públicas e privadas. A forma de monitoramento é definida por cada rede de ensino. O coordenador regional de Educação, Leopoldo Diehl Filho, observa que “apesar da proibição, em alguns momentos o uso dos celulares é permitido para a prática pedagógica”.
A secretária municipal de Educação de Jaraguá do Sul, Iraci Müller, informou que o uso de aparelhos celulares nas escolas da rede municipal é proibido durante todo o período em que o aluno está na unidade escolar. Ela cita a lei de 2008 e diz que a recomendação é para que os alunos não levem o aparelho para a escola. “Mas, se houver alguma necessidade familiar, o celular deve ficar guardado na mochila”, completa.
O diretor do Colégio Marista São Luís, Luciano Petry, informou que os alunos são orientados a não trazer o celular para a escola. “É a nossa orientação para todas as famílias. A gente entende que não tem necessidade, mas proibir, principalmente para um adolescente do Ensino Médio é mais difícil, então os alunos trazem o aparelho para a escola, mas durante o horário de aula o celular precisa ficar dentro da bolsa no modo silencioso ou desligado. Eles não podem fazer uso. Se o aluno utilizar no horário de aula, o celular é recolhido”, explica.
De acordo com Petry, existem, às vezes – mas isso é raro -, algumas atividades em que o professor precisa fazer uso do aparelho em alguma dinâmica, então isso é combinado previamente com os alunos, com as famílias, para que naquele dia, naquela aula, eles possam utilizar o aparelho. “Mas é um uso pedagógico. Então, sempre tem que ter a autorização do professor para o uso”, reforça o diretor.
“Uma outra questão é que a gente tem feito aqui na escola o ‘Dia sem Eletrônico’, pelo menos uma vez por semana, que é um movimento para que as crianças não usem o celular nem no intervalo. O colégio tem muito espaço de recreação, com atividades como vôlei, futebol, basquete, espaços para que eles possam brincar e não usar o celular durante o intervalo. Além disso, o Marista tem feito algumas campanhas de conscientização. Esta semana, por exemplo, enviamos para os pais um e-book que trata justamente sobre a questão do uso das tecnologias, de exposição às telas. Um material bem bacana com orientações sobre essas questões”, informa o gestor.
Benefícios e riscos da utilização do celular em sala de aula
O Relatório de Monitoramento Global da Educação 2023, da Unesco, aponta que o uso do celular e outros dispositivos digitais em sala de aula pode melhorar a aprendizagem, ao passo que, se o uso for inadequado ou excessivo, pode ser prejudicial ao desempenho escolar e até mesmo à saúde dos estudantes.
Benefícios
O celular pode ser benéfico ao processo de ensino-aprendizagem, uma vez que o aparelho:
- é mais acessível que o computador, o notebook e o tablet, tanto em relação a custo quanto em usabilidade, para o uso da Internet em sala de aula;
- pode ser usado para pesquisas, leituras, testes online, jogos educativos e outras atividades pedagógicas;
- facilita a busca rápida de informações;
- aumenta as possibilidades de dinâmica em sala de aula e favorece a interação;
- serve como suporte para as aulas de tecnologia digital;
- prepara o aluno para o uso consciente, ético e responsável das tecnologias digitais no dia a dia e no mercado de trabalho.
Riscos
No entanto, o uso do celular em sala de aula tem algumas desvantagens, tais como:
- distrair os alunos com notificações e atividades sem relação com a aula;
- excluir os estudantes que não possuem o dispositivo;
- dificultar a gestão da sala de aula e o planejamento das aulas por parte de professores sem preparo para o manuseio de tecnologias;
- prejudicar a estabilidade emocional, a visão, a qualidade de sono e a interação social dos estudantes, por causa do tempo excessivo de exposição às telas.