Sintomas como coceira, corrimento de coloração diferente, odor forte, ardência e dor são alguns sinais que algo não vai bem. Para ajudar a entender melhor sobre o assunto, veja alguns dos fatores que podem impactar na nossa saúde genital:

1. Higienização incorreta

A anatomia da região genital da mulher é um fator que facilita a contaminação da vagina ou da bexiga por bactérias intestinais, podendo causar infecção urinária ou corrimento.

Isso ocorre porque as aberturas do ânus, da vagina e da uretra são muito próximas uma da outra. Por isso, após a evacuação, é recomendado que a higiene seja feita na direção de frente para trás, para evitar que os restos de fezes levem bactérias para a vagina e uretra.

2. Tipo de sabonete

O sabonete íntimo é ideal porque apresenta o nível adequado de pH, levemente ácido, assim como a vagina, por isso ajuda a equilibrar a flora vaginal.

3. Frequência e tempo de higienização

Lavar a região genital muitas vezes ao dia ou por muito tempo também não é recomendado, pois retira a camada natural de proteção da pele, causando ressecamento. A região genital deve ser lavada com água corrente e o produto de higiene.

A frequência recomendada é de pelo menos uma vez ao dia no clima frio e de uma a três vezes ao dia no clima quente.

4. Lenços umedecidos

Podem ser utilizados em algumas situações, por exemplo, para fazer a higiene fora de casa. Contudo, o uso abusivo pode remover a camada de proteção da pele ou pode causar coceira e irritação pelas substâncias que
compõem o produto.

5. Roupas muito apertadas

Dra Thais Lebtag. Foto por Pierro Ragazi/OCP News

Especialmente nas mulheres sensíveis, com história de irritação ou alergias na região genital, deve-se evitar os fatores que podem piorar esses sintomas. Usar calça jeans ou roupa apertada durante muito tempo favorece o aumento da temperatura e umidade da região genital, além de dificultar a ventilação dessa área, podendo piorar o processo irritativo.

Mas a calça apertada só é determinante quando o uso é muito prolongado (muitas horas por dia), o uso esporádico não tem problema.

6. Calcinhas de material sintético

Algumas mulheres que são mais sensíveis podem apresentar irritação em decorrência de tecidos sintéticos. Nesses casos, recomenda- se utilizar calcinhas com tecidos mais naturais como o algodão, que favorecem a ventilação da região genital.

7. Absorventes diários

Os absorventes diários são muito usados para conter secreções e corrimentos abundantes, evitando a sensação de umidade ao longo do dia. Porém, podem deixar a mulher mais suscetível a infecções devido à proliferação de fungos e bactérias.

Nas situações em que o uso de absorvente diário não pode ser evitado, como em perda urinária, corrimento
excessivos, recomenda-se absorventes respiráveis, sem a película plástica, que devem ser trocados em intervalos de até quatro horas.

8. Lavagem incorreta da roupa íntima

O hábito de lavar as calcinhas ao tomar banho e deixá-las para secar no banheiro pode ser prejudicial. O problema é que o banheiro é um lugar úmido e abafado, o que contribui para o surgimento de microrganismos que podem ser nocivos para a sua região íntima.

9. Ducha íntima

A realização de ducha vaginal não é recomendada, pois pode provocar desequilíbrio na flora vaginal normal, reduzindo o número de lactobacilos, responsáveis pela proteção da vagina contra o crescimento anormal de bactérias e fungos.

É importante destacar que a presença de coceira ou irritação na região genital ou de corrimento pode não ser decorrente apenas de hábitos de higiene inadequados, mas sim causados por doenças que precisam ser diagnosticadas e tratadas, como as dermatites, as vulvovaginites, as lesões relacionadas com o HPV (verrugas, lesões pré-câncer e lesões neoplásicas na região anogenital), entre outras.

Dra Nicolle Angelli. Foto por Eduardo Montecino/OCP News

Essa lista ajuda a melhorar alguns hábitos que podem prejudicar sua saúde íntima, seu ginecologista deve ser consultado regularmente para a manutenção da sua saúde. Estar em dia com seus exames ginecológicos previne e é primordial no diagnóstico precoce e sucesso no tratamento de doenças graves, como câncer de colo de útero.

Thais Straliotto Lebtag - CRM: 14849
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia

Nicolle Andreatta Angeli - CRM 15312
Especialista em Ginecologia e pósgraduada
em Medicina Fetal