A cirurgia torácica atua no tratamento de diversas patologias, ajudando a população a encontrar
o melhor caminho para o diagnóstico e tratamento, navegando pelo suor excessivo, tosse, deformidades da parede torácica, alterações na voz, no trauma, na infecção pulmonar, nas doenças dos trabalhadores que inalam partículas e muitas outras.

Mas nenhuma destas atuações preocupa tanto quanto o câncer de pulmão. O câncer de pulmão é a doença maligna mais comum em todo o mundo, e a que apresenta o maior índice de mortalidade comparado a todos os outros tipos. No Brasil, a taxa de sobrevivência em cinco anos é de 18%, semelhante às taxas globais.

Em Jaraguá do Sul e região, seguimos com as mesmas tristes porcentagens, isto acontece porque o doente chega atrasado para o diagnóstico e o tratamento. Apesar de ser o câncer mais fatal, quando é diagnosticado logo no início, a chance de curar existe realmente, não importando a idade.

É neste ponto que precisamos chegar para mudar esta realidade. Para descobrir a doença em um estágio inicial, que no Brasil não chega a 10% dos casos, precisamos que as pessoas procurem assistência nos primeiros sintomas.

E que os primeiros profissionais não deixem de pedir um raio-x de tórax, e até uma tomografia em pacientes que apresentam maior risco, como os tabagistas.

O maior desafio na nossa região é mudar a forma de diagnosticar, usando mais a tomografia
do que o raio-x. Alguns estudos mostraram que no Brasil, em média, 80% dos cânceres de pulmão foram diagnosticados com raio-x e só 20% com tomografia.

A diferença é muito maior se olharmos a saúde pública. Um ponto importante seria equilibrar os métodos de diagnósticos entre a saúde pública e privada.

É necessário incorporar urgentemente a tomografia, com dose baixa de raios, no diagnóstico de pacientes de risco para o câncer de pulmão no setor público, visto que a tomografia encontra as lesões nos estágios iniciais.

O ideal é encontrar um nódulo ou lesão menor que 3 cm, antes dos sinais e sintomas. Nós, que vivemos em Jaraguá do Sul, diferentemente de outros locais no Brasil, contamos com meios para mudar esta tendência de tratar somente lesões avançadas.

Os meios seriam o acesso aos centros de imagem e um serviço de tórax, que consegue realizar procedimentos minimamente invasivos para diagnosticar e tratar.

Para isso são usados os melhores equipamentos, como a vídeo endoscopia respiratória (broncoscopia), vídeo mediastinoscopia, vídeo toracoscopia, biópsias guiadas por tomografia ou eco.

Aqui na cidade, com a vídeo cirurgia conseguimos diminuir os riscos cirúrgicos para patamares 6 muito próximos dos índices internacionais.A experiência de 19 anos trabalhando com vídeo e os aperfeiçoamentos técnicos contribuem para a estabilização dos riscos pós-operatórios em 1 a 2%.

Infelizmente, mesmo aqui, apenas uma pequena porção dos pacientes serão operados com a intenção de curar. Com este impasse, o que fazer? Acredito que o primeiro ponto é a orientação da população de risco:

Para os tabagistas. O ideal é fazer uma consulta a cada seis meses para realizar
um exame de imagem. Visto que o ideal para o tratamento seria a visualização de uma lesão antes que ela gere o primeiro sintoma ou sinal.

Exemplo: uma tosse que mudou, que não cessa ou que piora, tosse com sangue ou secreções mais escuras, dor torácica, aparecimento de um chiado novo, sentindo um cansaço diferente, uma ronquidão.

Segundo ponto: é o estado de alerta que o médico de base deve ter quando um paciente tabagista ativo ou passivo for consultar, por uma banalidade com uma tosse chata, uma dor leve, uma rouquidão.

Este é o momento de encontrar uma lesão ainda cirúrgica, ou seja, não avançada. A Clínica Toracopulmonar e a oncologia de alta complexidade estão preparadas para buscar as mínimas alterações nos exames, estabelecer os diagnósticos mais precoces e seguir com a forma menos
invasiva de tratamento curativo.

Foto Por Pierro Ragazzi/OCP News

DR. GIOVANI W. MEZZALIRA |
MESTRE EM CIRURGIA TORÁCICA
CRM: 8611 SC