Suspeito teria anunciado desejo de matar a companheira para parentes da vítima | Foto Reprodução/Redes Sociais

Suspeito teria anunciado desejo de matar a companheira para parentes da vítima | Foto Reprodução/Redes Sociais

"Eu vou acabar com a vida dela". Quando ouviu esta ameaça de Marcelo Kroin, 38 anos, por volta das 19h de sábado (4), Marilei Araújo, 43, não imaginava nem de longe que ela seria cumprida.

Mas horas depois deste acesso de raiva, sua irmã e companheira dele, Andreia Campos Araújo, 28, que estaria grávida de três meses, estava morta.

Marcelo confessou o assassinato, que vem sendo tratado como feminicídio - crime de agressão contra a mulher por causa do gênero, e que prevê pena mais pesada ao autor - e está detido no Presídio Regional de Jaraguá do Sul.

Nas redes sociais, casal se demonstrava apaixonado | Foto Reprodução/Redes Sociais

Marcelo, Andreia, Marilei e o restante da família estavam reunidos na casa da família dela comemorando o aniversário de uma das irmãs, quando por volta das 19h ele saiu da festa xingando a companheira, que não quis acompanhá-lo.

“Eu estava saindo e ele saiu na frente e disse que iria acabar com a vida dela", revelou Marilei à reportagem da Rede OCP News.

O atrito entre o suspeito e a vítima teria começado pelo fato de Andreia ter preferido ficar no aniversário de uma das quatro irmãs. Depois que ele foi embora, ela ficou conversando, bebendo e se divertindo e só foi para casa por volta da 1h, depois de solicitar uma corrida pelo aplicativo da Uber.

Ao que tudo indica, a discussão iniciada anteriormente deve ter continuado na madrugada de domingo (5), quando o assassinato foi cometido.

Segundo a família, a vítima não vestia mais as roupas da noite anterior, o que indica que o homicídio não aconteceu assim que ela chegou na casa localizada na rua Neco Spézia, no bairro Jaraguá Esquerdo, em Jaraguá do Sul.

Marcelo contou para a Polícia Civil que estava em casa assistindo televisão quando a mulher chegou embriagada. Ele disse que estava assistindo televisão e foi atacado pela companheira com uma faca.

Apesar de apresentar marcas de agressão nos braços, não houve a confirmação dos ferimentos terem sido causados por uma arma branca. Para se defender, ele contou que deu um soco em Andreia, que bateu a cabeça na parede e caiu.

A morte dela pode ter ocorrido por volta das 3h de domingo.

"Eu tenho certeza que ela lutou até o fim"

“Ela gostava de viver. Eu tenho certeza que ela lutou até o fim para ficar viva. Com certeza, ele pegou a minha irmã de surpresa, porque eu acho difícil ela perder uma para ele. A Andreia era tinhosa, mas ele acabou com ela”, conta Marilei, ao deduzir como podem ter sido os últimos momentos da irmã.

“Agora, nós queremos justiça. Ela não merecia ser morta. Se fosse um acidente ou uma doença, mas desse modo? Não consigo nem dormir pensando nisso”, completa. Marilei conta que o corpo estava cheio de marcas e até com deformidades no rosto, além das marcas de esganadura no pescoço.

Polícia encontrou o corpo de Andreia na casa onde ela morava com o suspeito do crime | Foto Arquivo OCP News

Andreia, bonita, vaidosa e cheia de vida, deixou um buraco na vida dos pais, das irmãs e também da filha de dez anos. Natural de Guarapuava, no Paraná, era a filha caçula e mudou-se para Jaraguá do Sul quando tinha 16 anos.

Após terminar o primeiro casamento, deixou a filha aos cuidados da mãe. “Quando ela se separou, tinha que trabalhar. Então, a minha mãe ficou cuidando da menina pra não deixar na mão de gente estranha. A minha mãe é a segunda mãe da garota”, esclarece Marilei.

Um conto de fadas

A relação aparentemente perfeita do casal estava estampada nas redes sociais de Andreia. Para a família da vítima, os dois viviam mesmo o relacionamento praticamente perfeito que revelavam por meio de trocas de mensagens e juras de amor, troca de presentes e jantares.

A família não sabe como o casal se conheceu. Os dois já estavam juntos quando a relação foi oficializada, há cerca de dois anos.

Marilei conta que a relação dele era boa com a família dela.“Ninguém sabe ao certo como se conheceram. Quando a gente ficou sabendo, eles já estavam juntos.

Até porque a gente nem perguntou. Pelo pouco que eu andei e conversei com eles, estava tudo numa boa e também com a gente”, define.

Casal tinha rotina normal | Foto Reprodução Facebook/OCP News

A irmã de Andreia conta que logo que o casal começou a relação passou a morar junto. Para ela, a vítima sempre demonstrava que estava feliz e realmente era apaixonada por Marcelo. Mas apesar disso, ele era muito ciumento. Até porque Andreia era uma moça muito vaidosa.

Ela se levantava, tomava um banho e logo estava maquiada. A irmã confirma que ela tinha uma ótima autoestima. Apesar disso, o suspeito de assassinar Andreia não era visto como uma pessoa ruim ou que pudesse fazer algum mal.

Marilei conta que Andreia trabalhava junto com o companheiro, que tinha uma empresa de análise de sistemas, mas não comentava sobre a rotina de trabalho com a família. A irmã sabe apenas que Marcelo montou um escritório.

“A gente nunca viu nada de errado entre eles, nunca vi uma discussão. Eu mesma não tinha como dizer que algo estava ruim entre eles. Os dois sempre estavam juntos e felizes. O Marcelo fazia todas as vontades dela”, finaliza.

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