Wesley de Oliveira Lopes, de 19 anos, também teria aplicado golpes em funcionários em Jaraguá do Sul. Em entrevista ao OCP, um deles afirmou que perdeu cerca de R$ 30 mil investidos por Wesley em ações na bolsa e bitcoins.

 

 

Ele foi o último a ver o suposto investidor antes dele embarcar em um carro e desaparecer. O rapaz de 18 anos trabalhava há cerca de quatro meses na Porta Digital, empresa montada por Wesley com a promessa de ganhos por meio de investimentos feitos pela internet. O escritório ficava no segundo andar da secretaria de uma igreja no bairro São Luís.

Escritório funcionava em um imóvel no bairro São Luís | Foto: Cláudio Costa/OCP News

Porém, o rapaz conta que conhece Wesley desde criança e estudou com ele desde o ensino fundamental. Apesar de não terem se falado muito durante a maior parte do período escolar, os dois se aproximaram no ensino médio.

“Ele é um cara super tranquilo, sempre divertido, bem-humorado e inteligente, de certa forma. Ele sempre trabalhou desde cedo, desde pequeno. Eu lembro que uma vez ele quase reprovou por falta porque trabalhava até tarde”, descreve.

No terceiro ano, Wesley passou a realizar operações com day trade, compra e venda de ações dentro de um mesmo pregão da bolsa. O funcionário disse que chegou a perder R$ 100 naquela época. No ano passado, ele acabou se reaproximando de Wesley e recebeu o convite para trabalhar na Porta Digital ganhando R$ 2,5 mil mensais e chegou até a assinar um contrato.

“Aí, ele me fez uma proposta de investimento de R$ 15 mil, mas eu não tinha grana. Ele me disse que iria ganhar R$ 1,2 mil mensais durante dois anos e iria ganhar 100% do valor, o que daria R$ 30 mil. Perguntei se poderia pensar, mas ele disse que teria que ser naquele dia”, frisa.

O rapaz então foi persuadido a fazer um empréstimo. O valor seria ressarcido após Wesley receber o valor de um seguro de uma caminhonete que tinha dado perda total. Ao verificar o crédito de financiamento no banco, o funcionário viu que tinha R$ 27 mil disponíveis.

Funcionário chegou a assinar um contrato de trabalho com Wesley | Foto: Cláudio Costa/OCP News

“Eu pensei em pegar esse valor porque a técnica seria a mesma. Ele iria quitar e eu receberia apenas o lucro. Eu peguei os R$ 27 mil e em janeiro era para receber a primeira parcela de R$ 2 mil. Mas recebi apenas R$ 900, que era o valor da parcela do empréstimo. Em fevereiro, recebi apenas os R$ 900, não os R$ 2 mil. Ele me falou que me pagaria os R$ 900 e que teria um saldo. Quando acumulasse R$ 12 mil, ele me mandaria para quitar o empréstimo. Mas eu só recebi quatro parcelas e ele sumiu. Eu não recebi nada desse investimento. Na verdade, não foi um investimento”, lamenta.

Transmitia segurança

Wesley passava muita segurança em todas as afirmações sobre os investimentos. Por estar há algum tempo em contato com a negociação das ações, o funcionário acabou acreditando que as promessas de retorno rápido do investimento eram verdadeiras.

No Tiktok, ele costumava postar vídeos falando sobre empreendedorismo e investimento. Ele também fazia doações em dinheiro em lives na plataforma com o objetivo de dar visibilidade para a empresa.

“Ele passava muita segurança. Como eu sabia que ele estava estudando há muito tempo, eu acreditava que ele havia adquirido muito conhecimento nessa área de investimento. Eu acredito que ele tinha bitcoins, mas eu nunca cheguei a ver nada. Eu acredito que ele comprou criptomoedas porque não podem ser rastreáveis e pensando em sumir um dia”, explica.

Durante a entrevista, o jovem conta que Wesley tinha um plano criminoso em mente. Ele sempre contava para os amigos que gostaria de roubar um banco para conseguir uma grande quantia em dinheiro.

“Quando a gente estudava junto, ele sempre dizia que tinha vontade de assaltar um banco e conseguir muito dinheiro. Depois, ele iria forjar a própria morte e criar a vida do zero. Agora, tudo isso bate, né?”, recorda.

Investidores

Wesley contou que teria feito 80 clientes em 2021 e já teria pelo menos outros 50 investidores. O funcionário afirma que não tem certeza de que esses números são reais, pois nunca viu nenhuma das pessoas.

“Eu vi poucas pessoas, uma vez eu vi o advogado dele. Ele sempre dizia que depois do horário iria receber alguém, mas não frequentemente”, destaca.

 

Se não tivesse dinheiro em mãos para aplicar nos investimentos oferecidos, o cliente poderia retirar o dinheiro do limite do cartão fazendo a operação Pix no crédito. O funcionário acredita que esse foi o método mais usado por Wesley.

“No começo, ele meio que fidelizava e a pessoa mandava um valorzinho através de um Pix no crédito. No mês seguinte, ele retornava o valor que você investiu e o lucro. No primeiro mês eu mandei R$ 400 de um 13º e ele me mandou R$ 800. Depois, eu mandei R$ 2 mil e ele me mandou de volta R$ 1 mil e ficou me devendo R$ 1 mil. Agora, eu mandei R$ 3 mil no crédito antes de ele sumir. Ele queria que eu aumentasse o limite do meu cartão de crédito para fazer mais ou algum empréstimo. Ainda bem que eu não consegui”, frisa.

Decepção

O rapaz saiu do emprego como metalúrgico para trabalhar com Wesley na empresa de investimentos. Desempregado, ele ainda está buscando entender o momento que está vivendo, com uma dívida que não tem condições de pagar.

“De certa forma, eu gostava desses investimentos. Eu achava que poderia aprender algo com ele. Eu queria crescer também, mas não deu certo. Eu estou muito abalado. Na verdade, eu não estou nem acreditando. Era alguém em quem eu tinha confiança”, sintetiza.

Wesley ficava muito tempo no celular, não deixava ninguém ver as conversas e apagava todas as mensagens trocadas. Muitas vezes, ele nem respondia direito o que a pessoa perguntava e estava estranho no último mês.

“Ele estava aparentemente muito preocupado, ansioso com alguma coisa, meio avoado. Ele vendeu os notebooks que a gente trabalhava um mês antes. Eu confiei nele”, finaliza.

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