Santa Catarina ficou chocada em fevereiro de 2016. Naquela data, no fim da noite do dia 2, quando a cabeça de Israel Melo Júnior foi encontrada dentro de uma sacola na zona Norte de Joinville. Poucas horas depois, as imagens da decapitação se espalharam pelas redes sociais.

O adolescente de 16 anos foi sequestrado, torturado, morto e decapitado. A cabeça de Juninho, como era conhecido, foi transportada do bairro Ulysses Guimarães, na zona Sul de Joinville, onde foi morto, até o bairro Jardim Paraíso,na zona Norte.

Em agosto do ano passado, cinco dos sete denunciados - que nunca confessaram o crime -  foram julgados e condenados pelos crimes de: duas vezes por sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado – com as qualificadoras de motivo torpe, tortura, dissimulação e emboscada –, destruição de cadáver, vilipêndio a cadáver e associação criminosa armada. Henrique Alexandre Guimarães, Jonathan Luiz Carneiro, Leonardo Felipe Bastos, Luciano da Silva Costa e Thomaz Anderson Rodrigues tiveram suas penas estipuladas entre 22 e 32 anos de prisão. A variável entre elas se dá devido a casos de reincidência. Somadas, as penas chegam a mais de 137 anos de prisão.

Agora, nesta quarta-feira (4), a partir das 9h, sentam no banco dos réus Valter Carlos Mendes e Carlos Alexandre de Mello, que tiveram o processo cindido e serão julgados em separado dos demais denunciados pelo caso. O processo foi desmembrado por discordância da defesa em relação às acusações feitas aos dois.

Assim como em agosto, o júri desta quarta seguirá com as portas fechadas. A medida adotada pelo juiz Luis Felipe Canever se dá devido ao número de testemunhas protegidas que serão citadas durante todo o julgamento. Portanto, como medida de proteção à elas, as portas do Tribunal do Júri estarão fechadas durante todo o julgamento, se abrindo somente para a leitura da sentença. O promotor responsável pela acusação será Luan de Moraes Melo, que substitui o titular do Ministério Público.

O primeiro júri do caso durou cerca de 30 horas, mas de acordo com a 1ª Vara Criminal, o julgamento de Valter e Carlos Alexandre deve correr com mais rapidez.

Como foi o caso

Fevereiro de 2016: Duas garotas próximas a Juninho foram sequestradas e mantidas em cativeiro no bairro Ulysses Guimarães, na zona Sul da cidade, por cerca de 24 horas. Utilizando os celulares das garotas, os envolvidos no crime enviaram uma mensagem para Juninho com um convite para uma suposta festa.

Juninho foi sequestrado assim que chegou ao local da suposta festa, também no bairro Ulysses Guimarães. De acordo com a investigação, as duas garotas utilizadas para atrair o adolescente seriam executadas, mas foram liberadas após negociação.De acordo com o laudo do IGP (Instituto Geral de Perícias), o adolescente foi duramente torturado por cerca de 24 horas antes de ser morto.

2 de fevereiro de 2016: Depois de ser torturado, o adolescente foi assassinado. Seu corpo foi levado a uma pequena ilha em uma região de mangue do bairro Ulysses Guimarães, próximo ao local utilizado como cativeiro e onde ele foi torturado. Nesta pequena ilha, Juninho foi decapitado. A ação foi gravada pelos envolvidos. Nas imagens dois deles participam da decapitação. O vídeo foi divulgado na internet com uma trilha sonora. Ao fundo das imagens pode-se ouvir um funk que começa com a frase “aprende a respeitar o homem”.

No início da noite do dia 2 de fevereiro, uma terça-feira, a cabeça de Juninho foi encontrada em uma sacola no bairro Jardim Paraíso, zona Norte de Joinville, na esquina da Estrada Timbé com a rua Titan.

5 de abril de 2016: A investigação iniciada ainda na noite do dia 2 de fevereiro ficou sob responsabilidade da equipe do delegado Wanderson Alves Joana e as primeiras prisões ocorreram no dia 5 de abril. Nesta data, Leonardo Felipe Bastos e Luciano da Silva Costa foram detidos.

13 de abril de 2016: Uma semana após as primeiras prisões, a polícia apresentou outros três suspeitos pela morte e decapitação de Juninho. Jonathan Luiz Carneiro, Henrique Alexandre Guimarães e Valter Carlos Mendes foram detidos. Neste mesmo dia a polícia apresentou novamente Luciano da Silva Costa pela participação no crime. No dia 5 de abril ele havia sido preso com um rádio usado para interceptar a frequência utilizada pela Polícia Militar. Na ocasião, ele foi preso no local apontado como palco da morte de Juninho.

4 de maio de 2016: No dia 4 de maio, Thomaz Anderson Rodrigues foi detido ao visitar a mãe, internada no PA Norte. No mesmo dia, ele foi apresentado como suspeito de ter cometido o crime.

10 de maio de 2016: No dia 10 de maio, as equipes de investigação da Delegacia de Homicídios com o auxílio do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville realizaram buscas aos restos mortais do adolescente na região de mangue apontada como local da decapitação. Após uma tarde de buscas, a polícia identificou o local exato da decapitação e encontrou materiais utilizados na ação, como o machado, o lençol e a toalha utilizados para amarrar as pernas do adolescente, um sapato preto utilizado por um dos suspeitos e uma mochila com cal.

11 de maio de 2016: As buscas ao corpo de Juninho continuaram no dia seguinte e a polícia encontrou a luva cirúrgica utilizada no crime. Após dois dias de trabalho, as buscas foram suspensas sem que os restos mortais do adolescente fossem encontrados.

20 de maio de 2016: Polícia encerra inquérito e encaminha ao Ministério Público.

31 de agosto de 2016: Carlos Alexandre de Melo foi preso pela equipe da Delegacia de Homicídios em um casebre em uma região de difícil acesso na zona Norte de Joinville. Ele era o último suspeito de sequestrar, torturar, assassinar e decapitar Juninho.

4 de outubro de 2016: A primeira audiência foi realizada e ouviu as testemunhas protegidas do caso.

5 de outubro de 2016: Dando sequência aos trabalhos, no segundo dia também foram ouvidas testemunhas protegidas.

18 de outubro de 2016: Foram ouvidas sete testemunhas e acusação, entre elas, a equipe da Delegacia de Homicídios que participou da investigação do caso.

28 de novembro de 2016: Em nova audiência, testemunhas de defesa e réus foram ouvidos pela Justiça.

7 e 8 de agosto de 2017: Realizado a portas trancadas, o júri popular de cinco dos sete acusados se estendeu durante dois dias.

9 de agosto de 2017: Os cinco réus foram condenados por todos os crimes pelos quais foram denunciados. As penas somadas chegam a 137 anos de prisão.

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