“A ficha não caiu ainda. Ele faz muita falta, era uma pessoa muito presente na família. Ele caminhava todos os dias com a minha mãe e a forma que encontramos de superar tudo isso é um dando apoio ao outro na família. Na família e com os amigos, os amigos dele apoiam muito a gente”. O desabafo de Fernanda Souza reflete a saudade que a família e os amigos sentem de Altamir Ricardo de Souza. O jornalista conhecido como Sabonete é irmão de Fernanda e morreu em dezembro de 2013 em um grave acidente de carro em Jaraguá do Sul. O caso provocou comoção em toda a cidade e a história deve ter um desfecho na próxima terça-feira (27). É neste dia, no Fórum de Jaraguá do Sul, que acontece o julgamento de Willian Pierre Galvan, réu no processo, que será julgado pelo Tribunal do Júri. Willian responde pelo crime de homicídio simples. Inicialmente ele havia sido indiciado por homicídio qualificado, mas em recurso de segundo grau, a defesa conseguiu fazer com que a qualificadora fosse excluída do processo. Embora caiba recurso da acusação, o júri será conduzido para julgar o crime de homicídio simples.
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Para Fernanda, a expectativa é que a justiça seja feita com a condenação
Para a irmã de Altamir, a expectativa é de que o júri decida pela condenação. “A expectativa é que ele seja condenado, que a justiça seja feita”, destaca. Para o advogado Rodrigo Novelli, que atua como assistente de acusação e representa os pais de Altamir, a expectativa é uma só, de que a justiça seja feita. “O eventual uso de veículo de forma inapropriada faz com que ele se torne uma arma e quem atua de forma indevida merece ser responsabilizado”, ressalta. O advogado explica ainda que a família busca a justiça e entende que a condenação, conforme determina a lei, é o resultado que será reflexo dessa justiça. “Eu fico honrado em participar de um processo onde a população de Jaraguá pode aplicar a lei conforme ela foi estabelecida, de fazer justiça”, completa. Filho mais velho de uma família com outros dois irmãos, Altamir não era casado e não tinha filhos. Para a irmã, Fernanda, apesar de ser um momento muito esperado, o julgamento também traz lembranças tristes da noite em que Altamir morreu. “É um momento que faz a gente reviver tudo que aconteceu e por isso é tão pesado. A gente se apoia muito em Deus, uns nos outros e nos amigos dele”, conta. Para a defesa do acusado, o julgamento deve caminhar dentro da legalidade e não levar em consideração a emoção. “A expectativa é uma só, que se julgue não com a emoção, que se julgue dentro dos princípios que determinam a norma legal”, afirma o advogado Jeremias Felsky, advogado do réu. O advogado explica ainda que Willian não falará com a imprensa antes do julgamento seguindo orientações da própria defesa. “O direito penal não está a serviço das partes, de nenhuma delas, nem da vítima, nem do acusado. Não se pode fazer um julgamento genérico, nem para aclamar as dores de partes privadas e sim ao interesse público. Eu só espero e tenho certeza que irá ocorrer, pois já participei de muitos júris na cidade, que mais uma vez Jaraguá saiba fazer justiça sem se ater a emoções”, finaliza. A advogada Ediléia Buzzi explica que o processo ainda tem recursos pendentes de julgamento, mas que a princípio ele será julgado por homicídio simples, com dolo eventual. “Há muitos pormenores nos autos do processo que não foram divulgados. A defesa objetiva esclarecer os fatos aos jurados e conseguir o melhor resultado para Willian, que certamente é merecedor. Casos como este, onde o fato decorreu de um acidente, são mais passíveis de fazer nos colocarmos no lugar do outro. A defesa confia na sociedade de Jaraguá do Sul”, enfatiza. O júri está marcado para a próxima terça-feira (27), às 9h, no Fórum de Jaraguá do Sul. 3d138e8a-792c-4e17-a452-414e434b227c Relembre o caso: No final da noite do dia 16 de dezembro de 2013, o jornalista Altamir Ricardo de Souza dirigia um veículo CrosFox quando foi atingido na lateral pelo carro de Willian Pierre Galvan. Com o impacto, Altamir foi arremessado para fora do veículo e bateu a cabeça no meio-fio da calçada na esquina das ruas Barão do Rio Branco e Reinoldo Rau. O jornalista chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital São José, mas não resistiu e morreu na unidade hospitalar. Segundo a decisão da juíza Anna Finke Suszek, que determina o julgamento através do Tribunal do Júri, Willian estava embriagado no momento do acidente, conforme teste de bafômetro realizado pela Polícia Militar. Além disso, ele estaria acima do limite de velocidade, dirigindo a 84 km/h em uma via que permite 60 km/h. Outro fator determinante foi confirmado por testemunhas ouvidas durante o processo. De acordo com elas, Willian teria ultrapassado o sinal vermelho no momento em que atingiu o carro dirigido pelo jornalista.