Sérgio Orlandini Sirotsky, 21 anos, protagonista de um dos acidentes mais comentados do fim de semana passado em Santa Catarina, apresentou-se na manhã desta quarta-feira (9) na 7ª Delegacia de Polícia, em Canasvieiras, na Capital. Ele estava acompanhado de seu advogado, Nilton Macedo Machado, e durante quase duas horas prestou depoimento ao delegado Otávio Cesar Lima. Na madrugada de domingo, o rapaz dirigia um Audi A3 e é o responsável por provocar o primeiro de dois atropelamentos que ocorreram na saída de uma festa em Jurerê, no Norte da Ilha. Logo depois do atropelamento em que atingiu três rapazes, provocando graves ferimentos, ele abandonou seu Audi e fugiu de carona com os amigos, sem prestar socorro às vítimas. Um segundo motorista acabou atropelando novamente uma das vítimas e uma quarta pessoa que tentava socorrê-las. Segundo o boletim de ocorrência (BO) registrado na Polícia Civil, na primeira colisão, foram atropelados Sérgio Teixeira da Luz, Rafael Machado da Cruz e Edson Mendonça de Oliveira. O veículo foi encontrado abandonado nas proximidades de um motel, no bairro Santo Antônio de Lisboa. Em seguida, Eduardo dos Santos Rios, 25, que dirigia um automóvel SsangYong, atropelou novamente Sérgio Teixeira da Luz, que está em coma pelas repetidas lesões sofridas, e Maycon Mayer, 22, que prestava socorro, O motorista do segundo acidente também fugiu do local, mas foi abordado pela Polícia Militar na avenida Beira-Mar Norte, a 18 km do acidente. Ao final do depoimento, Sirotsky foi encaminhado para realizar exame de corpo de delito - pois apresentava alguns ferimentos que teriam sido provocados por estilhaços de vidros do para-brisa do Audi e por ter batido o rosto no volante -, e liberado para responder às acusações em liberdade. O delegado recomendou que ele não se ausente de Florianópolis e deve indiciá-lo por lesão corporal culposa — sem intenção de ferir — na direção de veículo automotor e omissão de socorro às vítimas. O delegado Lima relatou à imprensa que o rapaz disse estar sozinho no carro no momento do choque e admitiu ter ingerido bebida alcoólica - duas doses de vodca com energético - na festa que ocorria no Complexo Music Park. Ele ainda argumentou que teve uma espécie de "apagão" no momento da colisão, que o impacto foi forte e não percebera em que havia se chocado. Só teria ficado sabendo que eram três pessoas depois de o fato sair na imprensa. Mistério só revelado na noite de segunda A identidade do motorista permaneceu um mistério até a noite de segunda-feira, quando foi revelado o nome de Sérgio Orlandini Sirotsky como dono do Audi, que está em nome de uma empresa da qual ele seria sócio, chamando ainda mais atenção da mídia nacional. O rapaz é conhecido na Capital por ser filho de um dos donos do grupo RBS e por ter se envolvido, na adolescência, no estupro de uma menina de 13 anos. Este caso, em 2010, também ganhou repercussão nacional e o site "Pragmatismo Político" lembrou que o blogueiro que denunciou o caso à época, do blog "Tijoladas do Mosquito", foi encontrado morto cerca de um ano depois, vítima de um suposto suicídio que nunca foi esclarecido. "A Folha de S.Paulo" também lembrou o caso em reportagem publicada na noite de terça-feira (8), destacando que até hoje o IGP não revelou a causa da morte. Pai emite nota oficial O empresário Sérgio Sirotsky, pai de Sérgio Orlandini Sirotsky, emitiu uma nota na tarde de terça-feira onde pediu desculpas aos jovens atropelados e a seus familiares, se disse triste e acreditar que seu filho também precisa de ajuda. Veja a íntegra: “Lamento profundamente o acidente ocorrido no domingo (6), em Jurerê, envolvendo veículo conduzido por meu filho Sérgio Orlandini Sirotsky. Como pai, estou muito triste e peço desculpas aos jovens atingidos e a seus familiares, a quem vamos oferecer todo o apoio e solidariedade para que possam se restabelecer com saúde e retomar suas vidas. Os contatos com os familiares estão acontecendo na tarde desta terça-feira. Está sendo muito difícil para nossa família enfrentar este momento, que nenhum pai gostaria de viver. Confiamos que o caso será tratado com serenidade e responsabilidade pelas autoridades competentes. Meu filho tem 21 anos, e é responsável por seus atos. Estamos tomando providências para tratar de nosso filho, que também precisa de ajuda. Sérgio Sirotsky