Tentativa de homicídio por transfobia é investigada em Criciúma
Tentativa de homicídio por transfobia é investigada em Criciúma

Um possível caso de tentativa de homicídio por transfobia vem sendo investigado em Criciúma.

A vítima foi a jovem trans, modelo, blogueira e dançarina, Vanessa Vivian Dresch, de 24 anos.

Durante um programa, ela foi brutalmente agredida por um suposto cliente que a feriu no pescoço com um golpe de chave de fenda e ainda quebrou parcialmente quatro dentes da vítima.

Divulgação / Instagram

O homem, de 45 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, mas assinou um Termo Circunstanciado por agressão e foi liberado. A vítima já registrou um boletim de ocorrência, de forma virtual, à Polícia Civil, que a aguarda para mais esclarecimentos.

O crime ocorreu na última sexta-feira, no bairro Próspera, e a vítima usou as redes sociais para desabafo.

Medo

“Até quando vou ter que andar com medo, me sentir desamparada, não poder confiar nessa sociedade amarga e obscura. Hoje venho deixar meu desabafo do atentado que sofri pela razão da minha existência, sem conseguir dormir direito, pois ainda estou muito abalada por saber que o meu agressor está solto, impune ainda, e mais alguma irmã ou irmão correndo perigo! Vamos dizer não ao ódio e ao preconceito. Não vamos ficar caladas!”, escreveu.

De acordo com Vanessa, em entrevista ao jornal Tribuna de Notícias, o homem se aproximou e pediu que ela entrasse no carro.

“Eu aceitei, tranquilamente. Quando eu estava dentro do veículo, fui surpreendida com as agressões. Ele me agrediu com a chave de fenda e com socos”, lembra ela, que não revidou.

“Se eu tivesse agredido ele, com certeza eu teria sido presa pelo fato de ser trans. Já procurei um advogado e quero que a Justiça seja feita. Criciúma é uma cidade repleta de pessoas LGBTI, e essas atitudes de transfobia não podem acontecer”, lamenta.

No interior

Ela conta que esse tipo de violência costuma ocorrer mais em grandes metrópoles, mas que isso já está chegando nos municípios do interior.

“Criciúma é uma cidade boa de se viver e o povo costuma respeitar a diversidade. Por isso, quando ocorre uma situação de discriminação e até mesmo de agressão e tentativa de homicídio, os responsáveis devem ser punidos na forma da lei”, conclui Vanessa, em entrevista ao TN.

Apuração

O delegado responsável pelo caso, Fernando Possamai, conta que o B.O. foi encaminhado para investigação, pois sequer foi identificado o autor do suposto crime.

“A vítima precisa também comparecer para formalizar a representação no prazo decadencial de 6 meses, senão será arquivado”, explicou Possamai.

Porém, o agressor foi imobilizado e a Polícia Militar colheu os dados do homem no local da ocorrência, assim como confeccionado B.O. pela PM. Mas a Polícia Civil, conforme relatado pelo delegado, ainda não tem conhecimento sobre o nome do autor do crime.

“No B.O. encaminhado não aparece o nome de nenhum autor. Vamos contactar a vítima se conhece e se deseja representar”, disse a autoridade policial ao jornal.

O delegado da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), Fernando Guzzi, informou que, embora esteja sob responsabilidade da delegacia daquela área, ele também irá acompanhar o caso.


Colaboração / Jornal Tribunal de Notícias

 

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