Três tecnologias colocadas em prática têm se mostrado indispensáveis para a fiscalização do trânsito em Jaraguá do Sul: o PMSC Mobile, as câmeras de segurança da área central e os radares semafóricos com OCRs, equipamentos de leitura ótica de placas de veículos. Para o major Aires Volnei Pilonetto, chefe do setor de Comunicação do 14º Batalhão de Polícia Militar, responsável pela fiscalização do trânsito na cidade, o emprego dessas ferramentas auxilia o trabalho dos policiais, já que o efetivo está cada vez menor em relação ao aumento populacional e a tecnologia ajuda a desenvolver potenciais estratégias de segurança. “Para nós, fazer o uso dessas tecnologias é um diferencial. Elas fazem com que os policiais possam exercer um número maior de atividades”, revela o major. O diretor de Trânsito da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Irio Riegel, explica que o emprego das novas tecnologias e de outras medidas, como a volta do serviço de guincho, está ajudando a trazer mais segurança e “moralizar” questões como os documentos atrasados. “A gente viu recentemente que haviam mais de 18 mil veículos com os documentos atrasados em um universo de 120 mil automóveis. Com a instalação dos OCRs, das câmeras e o pátio funcionando, houve uma corrida para os despachantes para regularizar a documentação dos veículos. Desde o dia 19 de novembro até esta sexta (15), nesse curto período de tempo, já guinchamos 239 veículos”, explica Riegel, ao ressaltar que mais da metade dos carros já voltou a circular após a regularização da documentação. Câmeras nos semáforos leem placas e gravam infrações Os OCRs ainda estão em fase de implantação. Atualmente, 59 faixas já estão funcionando em 12 pontos em toda a cidade. Irio Riegel explica que foram gastos cerca de R$ 120 mil na implantação dos equipamentos. “OCRs fiscalizam o limite de velocidade de 60 quilômetros por hora, se o veículo estaciona na faixa ou se ultrapassa o sinal vermelho. Esses equipamentos dão mais segurança para o trânsito e também dar mais credibilidade para toda a fiscalização. Quando um veículo passa no sinal vermelho, toda a passagem dele pelo local pode ser vista e, desse modo, pode ser comprovado se houve mesmo a infração ou aconteceu uma falha no equipamento”, conta Riegel, que reitera que a PM pode realizar fiscalizações utilizando o sistema que capta a falta de pagamento do licenciamento dos veículos.
Diretor de trânsito, Irio Riegel mostra sistema por trás das câmeras que fazem leitura das placas e emitem alerta diante de irregularidades | Foto Eduardo Montecino/OCP
O major Pilonetto conta que a fiscalização com o OCR já era feita pela Polícia Militar com um aparelho móvel, mas havia um plano para que a cidade fosse “cercada” com os equipamentos espalhados nos semáforos de toda a cidade. “A principal expectativa com essa nova tecnologia é que todos os veículos que circulam na cidade com registro de furto ou roubo sejam identificados. Um sinal é enviado para a Central Regional de Emergências e com isso a gente pode dar uma resposta imediata para abordar esse veículo”, comenta o policial militar, ao ressaltar que os automóveis com documentação atrasada precisam ser parados para serem autuados. Videomonitoramento muda conduta dos motoristas As câmeras de monitoramento foram instaladas em Jaraguá do Sul em 2009, na inauguração da nova Central Regional de Emergências. Naquela época, eram apenas 20 equipamentos, número que hoje foi ampliado para 60. Ao todo, 25 câmeras são utilizadas pelos policiais militares para fiscalizar a conduta dos motoristas na região central de Jaraguá do Sul. “Esse assunto chegou na mídia e atingiu as pessoas, que passaram a se preocupar com a conduta delas com relação ao trânsito. Em Jaraguá do Sul, os motoristas já vinham numa melhora de comportamento por diversas frentes. A gente já observa essa melhora pela diminuição dos índices de acidentes”, afirma Pilonetto. De acordo com o major da PM, alguns mitos ganharam as redes sociais. Um deles foi a de que os policiais militares multariam as pessoas que carregassem bolsas dentro dos veículos, algo que não é verdade. Ele explica que apenas cargas, como uma máquina de lavar ou uma saca de feijão, estão classificadas nesta norma. “Basicamente, é fiscalizado se as pessoas usam cinto de segurança, se as pessoas usam a seta indicadora para mudar de direção, se abstenham do uso do celular na direção e parem na faixa de pedestres. Práticas que evitam pequenos acidentes cotidianos e privilegiam a segurança de todos”, pondera. PMSC Mobile facilita trabalho nas ruas O PMSC Mobile chegou em dezembro de 2015 no 14º Batalhão de Polícia Militar e dois anos após a implantação está incorporado totalmente no cotidiano dos policiais da unidade. A tecnologia pioneira da Polícia Militar de Santa Catarina permite que todos os registros de ocorrência sejam feitos no ambiente virtual. “Com dois anos de uso, ela se consolidou e vem sofrendo vários aprimoramentos nesses dois anos. Todos os policiais militares já estão habituados com esse novo sistema e o atendimento da ocorrência em si está cada vez mais acelerado, desde uma ocorrência de trânsito até um caso de furto ou roubo”, exemplifica Pilonetto. O major explica que a confecção de um boletim de ocorrência ou de um termo circunstanciado é bem mais rápida com os equipamentos eletrônicos. “O conjunto do PMSC Mobile é composto do tablet, que é carregado através da viatura com um cabo USB, e uma impressora com comunicação sem fio. Ela faz a impressão das notificações de trânsito ou de qualquer outro formulário que precise ser impresso naquela ocorrência. Antes, o policial preenchia um formulário e ele vinha para o batalhão. Eu tinha que alocar um PM só para fazer o registro dessas informações no sistema. Antes, a pessoa ligava para o 190 e o chamado era feito pelo rádio. Agora, ela o aviso da ocorrência é feito via mobile. A guarnição fica mais ágil e o atendimento fica com mais qualidade”, destaca. Novos equipamentos são estudados A Polícia Militar estuda novas tecnologias para auxiliar na fiscalização do trânsito. Uma delas é a instalação dos OCRs nas viaturas da corporação, não aplicada ainda por uma defasagem tecnológica. “Nós poderíamos colocar os OCRs nas viaturas que rodam na cidade. Mas depende da transmissão de dados. Eu preciso conectar esse dado em tempo real e a rede de telefonia móvel é ineficiente. Ela ainda não suporta esse tipo de transmissão”, ressalta Pilonetto. Os semáforos da região central de Jaraguá do Sul são sincronizados. Mas, segundo Irio Riegel, a dinâmica do trânsito, como a passagem de pedestres nas faixas e a saída de veículos das laterais, faz com que os veículos não consigam atravessar uma rua como a Reinoldo Rau pegando todos os sinaleiros abertos, ou seja, fora do ciclo. “Nós iniciamos um estudo e vamos fazer um projeto para instalar semáforos inteligentes. Eles vão ter sensores que vão medir o fluxo de veículos. Onde houver um fluxo maior, ele vai ficar mais tempo aberto. Onde houver um fluxo menor, vai ficar menos tempo”, adianta Riegel. LEIA TAMBÉM: - Presídio registra baixa taxa de evasão nas saídas temporárias – Polícia Militar abre as inscrições para a operação Viagem Segura