Enquanto a população de Jaraguá do Sul aumentou 29% de 2006 a 2016, o número de motos, motocicletas e motonetas emplacadas no município cresceu 47%, chegando aos 23.817 no ano passado. A taxa de mortalidade por acidentes com o meio de transporte também está elevada, alcançando os 10,16 a cada 100 mil habitantes no ano passado, segundo levantamento da Secretaria de Saúde. Desde 2012 o índice não ficava acima de dez no município. A taxa é superior à registrada em Santa Catarina, com 7,42 óbitos de motociclistas a cada 100 mil habitantes. Conforme os dados, 154 motociclistas teriam morrido nos últimos dez anos. A maioria após colidir com veículos como carro, caminhonete ou pick-up. A maioria das mortes acontece entre homens com idade entre 15 a 39 anos. Apesar das motos representarem apenas 21% da frota de veículos da cidade, elas foram responsáveis por 58,62% das mortes no trânsito no ano passado. Em Santa Catarina, o índice é de 32%. Em relação ao número de acidentes envolvendo motos, motonetas e ciclomotores, 2017 registrou de janeiro a setembro 51 ocorrências a menos que o ano passado. Foram 537 neste ano e 588 em 2016. O meio de locomoção é o segundo mais presente nos acidentes, ficando atrás somente dos automóveis, que já somam quase 2,4 mil colisões. No total, o 14º Batalhão de Polícia Militar contabiliza 3.876 ocorrências de trânsito nos primeiros nove meses de 2017. Segundo o superintendente dos hospitais da Secretaria da Saúde, Marcelo Reis, as mortes causadas por acidentes de motos representam 40% dos óbitos em trânsito no Brasil. Outro dado relevante, conforme o responsável pelo levantamento da Secretaria Municipal, Luis Fernando Medeiros, é que 58,44% das mortes ocasionadas por acidentes de moto acontecem no segundo semestre, devido a maior atividade econômica dos moradores e empresários nesta época do ano. A coordenadora do pronto-socorro do Hospital São José, Fábia Schaefer, confirma que a maioria dos acidentes atendidos na unidade tem motociclistas envolvidos. “As pessoas usam a moto pela economia, o combustível está mais caro e isso reflete nos números de emplacamentos e acidentes. Notamos que o horário com maior registro de ocorrências são os de entrada e saída do trabalho, neste trajeto entre casa e empresa. Nos carros, a probabilidade de se machucar é menor, já com as motos, qualquer queda pode resultar em uma fratura”, enfatiza Fábia. A maioria dos ferimentos, conforme a coordenadora, requerem cuidados da ortopedia e envolvem um grande número de internações hospitalares. “Os acidentes com motociclistas não demandam apenas atendimentos na emergência, mas também na ala de internações. Muitas vezes ficamos com todos os leitos ocupados pela ortopedia. Por sermos referências em trauma, esta demanda é ainda maior”, observa Fábia. Segundo números do levantamento de 2015 da Secretaria de Saúde, o número de motociclistas traumatizados em acidentes que precisaram de internação foi de 192. Em 2014, foram 124 e em 2013, 110 motociclistas. A média de permanência em dias no hospital oscilou entre 4,6 e 4,4 de 2014 a 2015. Em 2013, a média era de 5,8 dias.   Trânsito requer atenção de motoqueiros e motoristas A economia e praticidade foram os critérios que fizeram o profissional de educação física, Réggis Reitz, 27 anos, optar pela moto como meio de transporte na época da graduação. Durante a fase de estudos, enquanto se locomovia entre a casa, trabalho e faculdade, ele relata que presenciou muitas imprudências no trânsito, tanto por parte dos motoqueiros quanto pelos motoristas de carros, ônibus e caminhões. Neste período, Reitz chegou a se envolver em três acidentes, dois no ano de 2010 e um em 2012. No primeiro, uma moto cortou sua frente na rodovia. O segundo ocorreu pelo mesmo motivo, mas tentando desviar da motocicleta, o então estudante colidiu com um carro estacionado. O motorista da moto fugiu. Já na terceira vez, um ciclista bêbado invadiu a pista da BR-280 e causou o acidente. “Precisei fazer uma cirurgia no rosto por causa da batida”, recorda.
Réggis Reitz sofreu três acidentes enquanto utilizava a moto para se locomover. Hoje, o carro é meio de transporte escolhido para a rotina | Foto Eduardo Montecino/OCP
Reitz continuou utilizando a moto por ainda não ter condições de comprar um veículo. “Quando casei, consegui trocar o meio de transporte e acabei deixando de usar moto e depois decidi vender. Agora que vou ser pai, quero cuidar mais também e evitar este tipo de situação”, comenta o educador físico. Com experiência como motorista de carro e de moto, Reitz avalia que os motoqueiros erram ao passar muito rápido pelos corredores. “Não vejo problema em deixar eles passarem pelas laterais, isso até ajuda a melhorar o fluxo, mas alguns motoristas também tentar impedir essa passagem e acabam piorando essa questão”, relata. Apesar dos incidentes, o profissional comenta que se voltasse a andar de moto, seria por hobbie, e não mais como meio de transporte principal para as atividades do dia a dia.