Quase um ano após o crime, a Polícia Civil prendeu a suspeita de arquitetar o assassinato da adolescente Letícia Vargas Borges, 17 anos, encontrada morta em São Francisco do Sul. Helen Karoline Ceolin, 22 anos, foi detida no domingo (8), em uma residência no bairro Parque Guarani, na zona Sul de Joinville.
Helen foi detida no domingo (8), em uma residência no bairro Parque Guarani, na zona Sul de Joinville. Outras duas pessoas já haviam sido presas por envolvimento no crime | Foto Polícia Civil/Divulgação
O contexto da morte de Letícia envolve o tráfico de drogas e um ataque de ciúmes por parte de Helen. De acordo com o delegado Marcel Araújo de Oliveira, que presidiu a parte final do inquérito, Letícia teve um envolvimento com o companheiro da suspeita, um traficante preso durante uma operação para desarticular um esquema de tráfico de drogas em Guaramirim. Quer receber as notícias do Jornal de Joinville no WhatsApp? Clique aqui O corpo de Letícia foi encontrado por um pescador em um córrego na rua Grécia, próximo do Loteamento do Mazinho, no bairro Ubatuba, no dia 2 de maio de 2017. A jovem tinha marcas de espancamento, estava com os pés e mãos amarrados e havia sido atingida por dois tiros. Araújo afirma que a primeira parte do inquérito foi resolvida em apenas dez dias. Segundo ele, a jovem transitava entre os grupos rivais de traficantes de drogas e era considerada uma informante por lideranças do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) em Joinville. O ciúme de Helen teria sido o estopim para a sua morte.
Corpo de Letícia foi encontrado por um pescador em um córrego na rua Grécia | Foto Arquivo
“Havia informações de que a morte dela já era algo que interessava aos grupos de traficantes de drogas em Jaraguá, Joinville e São Francisco do Sul. Para tornar mais grave a situação, houve um surto de ciúmes dessa menina presa ontem, a Helen. Houve uma aproximação entre a vítima e o marido dela. Já era uma morte do interesse dos traficantes. Ela foi identificada como informante. Tudo isso foi aditivado pelo ciúme da Helen. Mas ela não foi a executora. Ela viabilizou de forma direta e indireta a morte. A pessoa que de fato executou a Letícia está com um mandado de prisão decretado e há outros mandados na pendência de serem cumpridos”, afirma Araújo, ao ressaltar que outras seis pessoas, entre elas três menores, já foram detidas por envolvimento no crime. A investigação da Polícia Civil aponta que a ordem para o assassinato de Letícia saiu de dentro da Penitenciária Industrial de Joinville. Paulo Henrique Artmann dos Santos, o Kalango, foi quem autorizou a morte da adolescente com base nos relatos de ciúmes de Helen, pois Letícia vinha ganhando proteção do companheiro dela, Tiago da Maia, o Caveira. Após o aval, a garota foi convidada para uma festa em São Francisco do Sul, uma armadilha para a execução de Letícia. A adolescente foi levada até uma casa de propriedade de Kalango, onde foi executada.
Letícia Vargas Borges, 17 anos, havia sido torturada por mais de 24 horas até ter sido executada com dois tiros na cabeça, segundo a Polícia Civil | Foto Arquivo

Tráfico em Guaramirim

No início de 2017, o Setor de Investigação Criminal (SIC) da Delegacia de Polícia de Guaramirim e a Agência de Inteligência da 2ª Companhia do 14º Batalhão de Polícia Militar receberam diversas denúncias da prática de tráfico de drogas em um conjunto de quitinetes na rua Antônio Zimmermann, atrás de uma loja de móveis, no Centro. O envolvimento de Tiago e de Letícia aconteceu nessa época, com posteriores ameaças de morte feitas por Helen em uma rede social. No dia 12 de abril de 2017, a Polícia Civil e a PM realizaram uma operação e prenderam oito pessoas por envolvimento na venda de crack, um deles o irmão de Tiago, Diogo da Maia, o Japa.
Tiago da Maia (Caveira) e Helen Ceolin | Foto Reprodução
Poucos dias depois, Caveira foi enviado para continuar a movimentação do tráfico de drogas. Ele morava na zona Sul de Joinville, já tinha algum envolvimento com o esquema derrubado pela Polícia Civil, mas não havia sido preso na primeira operação. No dia 27 de abril, Tiago foi preso em uma nova investida da polícia. No inquérito, Kalango é apontado como o chefe do esquema de tráfico em Guaramirim. De dentro da penitenciária, ele providenciava armas, drogas e transporte para todos os envolvidos no grupo criminoso. Resgate de helicóptero Kalango foi personagem de um acontecimento recente e de repercussão nacional. Ele é apontado como o preso que seria resgatado da Penitenciária Industrial de Joinville por dois homens que sequestraram um helicóptero em Penha, em 8 de março. A aeronave caiu a cerca de 2,5 quilômetros da unidade prisional, no bairro Paranaguamirirm, na zona Sul de Joinville. Daniel da Silva e Ivan Alexssander Zurman Ferreira alugaram a aeronave que realiza voos panorâmicos terceirizados para visitantes do Parque Beto Carreiro World.
Kalango, apontado como responsável pelo esquema de tráfico em Guaramirim, teria autorizado a morte de Letícia | Foto Divulgação
A dupla pagou cerca de R$ 3,1 mil para alugar a aeronave. Eles deram a desculpa que iriam ver um terreno em Joinville. O vôo de cerca de 50 minutos foi interrompido pelo sequestro da aeronave. Os dois homens estavam armados e renderam o piloto Antônio Mário Franco Aguiar, de 56 anos, e o auxiliar de pista Bruno Siqueira, de 21 anos. Daniel sobreviveu saltando da aeronave. Ivan, Antônio e Bruno morreram logo após a queda e explosão da aeronave. A Polícia Federal e o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) investigam o caso. *Reportagem de Cláudio Costa para o jornal O Correio do Povo