José Antônio Rabelo de Moura Brasil, 39 anos, tinha uma meta de criança de morar em Florianópolis. Natural de Campo Grande (MS), ele era apaixonado pelo mar e queria viver perto dele. Sem perspectiva de trabalho na cidade natal, mudou-se para Olímpia (SP). Instalador de placas solares e, também, pizzaiolo, o homem de 1m97cm e 120 kg não encontrou espaço no novo endereço e, a convite de um casal de amigos, seguiu viagem para a capital catarinense.

Mas o que parecia um a realização de sonho, virou uma tragédia. No seu segundo dia na cidade, acabou enganado pelo GPS e entrou numa das ruas da comunidade conflagrada da Papaquara. Seu carro foi atingido por tiros e José morreu na hora, na sexta-feira (12).

Conforme informações da polícia, o fato de o carro ter placas de São Paulo e com películas escuras, chamou a atenção de traficantes do local que são da facção PCC, rivais do PGC, grupo criminoso paulista.

A família de José Antônio, sem recursos, precisou fazer uma vaquinha online para conseguir dinheiro para transladar seu corpo de volta ao Mato Grosso do Sul. Mas os custos do transporte eram próximos a R$ 10 mil. O financiamento rendeu menos de R$ 2 mil.

Os familiares que vieram de Campo Grande ao fim não tiveram outra opção senão deixar o corpo de José Antônio no cemitério São Cristóvão, na região continental de Florianópolis, na única gaveta disponível, a D2. A família tem quatro anos para retirar os restos mortais do espaço.