A possibilidade de integração entre os mais diversos serviços de emergência em prol de um único objetivo foi a principal marca do simulado de resgate promovido nesta quarta-feira (21), em Jaraguá do Sul.

A atividade finalizou o Simpósio Integrado de Redução de Riscos e Desastres da Região Norte de Santa Catarina, realizado na terça (20), na Faculdade Metropolitana de Guaramirim (Fameg), promovido em alusão aos dez anos dos desastres de 2008.

O simulado foi realizado na antiga fábrica da Kohlbach, no Centro. A Defesa Civil do Estado estima que 100 pessoas, entre bombeiros voluntários, policiais militares, socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), membros da Defesa Civil, do Jeep Clube, do Grupo Especialista em Resgate de Alto Risco (Gerar) e agentes do Instituto Geral de Perícias (IGP), participaram da simulação do resgate em desmoronamentos.

Foto Fabio Junkes/OCP News

Salvamento pelo ar

O tenente-coronel Alessandro Machado, comandante do helicóptero Águia 1, da 2ª Companhia do Batalhão de Aviação da Polícia Militar, participou dos esforços nas tragédias que atingiram o Estado em 2008.

Ele explica que esse tipo de exercício é muito importante para o entrosamento dos diversos órgãos que participam das atividades de resgate. Para ele, quanto mais as pessoas souberem o seu papel, mais eficiente vai ser a ação dos diversos órgãos em prol da sociedade.

Machado explica que as aeronaves têm papel fundamental nos trabalhos de resgate e em situações de crise.

“A utilização dos helicópteros nestas ações já se mostrou fundamental em outros desastres, justamente pela possibilidade de pousar em locais de difícil acesso, bem como o transporte rápido para o hospital. Esses podem ser os diferenciais no salvamento de uma vida”, comenta o oficial.

Foto Fabio Junkes/OCP News

Desmoronamento

Bombeiros voluntários e especialistas do Gerar realizavam o resgate das vítimas de um desmoronamento. As vítimas estavam sob a terra e também embaixo de escombros. Assim que eram retiradas, uma ação coordenada fazia com que os feridos fossem levados ao posto médico, com três classificações de risco.

Lá, os médicos e socorristas do Samu realizavam a classificação de risco e os primeiros socorros antes de levar as vítimas para as unidades de saúde.

O subcomandante do Corpo de Bombeiros Voluntários, Robson Manske, explica que tudo é feito para tornar o simulado mais próximo de uma situação real e que as dificuldades são praticamente as mesmas, uma delas é o cansaço.

“As equipes são preparadas, mas temos a exaustão. Eles podem ter todas as informações sobre as vítimas, mas uma atividade dessas leva a equipe à exaustão. Por isso que nós temos que ter equipes de troca para dar continuidade no mesmo ritmo de trabalho”, destaca Manske.

Controle do trânsito

O movimento de curiosos era grande na rua Bernardo Grubba. Eles viram o helicóptero Águia 1 decolar três vezes para levar vítimas graves ao hospital São José. Uma das faixas estava interditada para estacionamento de veículos de emergência.

Também era usada no tráfego das ambulâncias, que levavam os feridos, da viatura do IGP, que retirava os mortos, e os outros veículos utilizados no resgate, como os 4x4 do Jeep Clube de Jaraguá do Sul.

Foto Fabio Junkes/OCP News

No controle da segurança da operação e do trânsito intenso que se formou na rua estava a Polícia Militar.

“A PM realizou o isolamento do local, controle dos curiosos, prevenção quanto ao fluxo de trânsito, a segurança das demais agências para que tenham uma mobilidade adequada, tanto com chegada ou saída veículos de emergência. Em episódios reais, segundos e minutos são essenciais para que se possa prestar um serviço adequado numa situação de crise”, comenta o capitão Antônio Benda da Rocha.

Avaliação do simulado

O coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina, Osvaldo Gonçalves, explica que o objetivo de recriar situações que ocorreram nas tragédias de 2008 foi alcançado. Com a ação coordenada das agências de emergência foi possível verificar o que melhorou durante os últimos dez anos. Gonçalves também ressaltou a importância de um simulado que integre as agências do Estado, do município e entidades civis em situações de crise.

“Hoje, nós trabalhamos em parceria e falando a mesma língua. Nos desastres anteriores, não existia uma organização. A intenção era muito verdadeira, mas não era organizada. O objetivo do simulado foi ter uma primeira integração entre as diversas agências. Houve alguns erros e isso vai ser avaliado para que possamos corrigir em outros simulados”, afirma Gonçalves.

Ao mesmo tempo foi realizado um simulado em Guaramirim. Equipes de emergência, com o apoio do helicóptero Arcanjo 3, do 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, trabalharam na rua Maria Zastrow, no bairro Nova Esperança.

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