Depois de um primeiro semestre de adaptações e situações adversas, como a paralisação dos servidores municipais entre os meses de março e abril, quando a administração municipal apresentou um pacote de medidas que atingiu em grande parte os professores, a Secretaria Municipal de Educação planeja reativar alguns projetos e lançar pelo menos quatro novos projetos para a rede municipal de ensino nos próximos meses. Com o planejamento em mãos, o responsável pela pasta, secretário Rogério Jung, recebeu a equipe do OCP para apresentar as novidades e objetivos da gestão. As iniciativas, garante Jung, visam sustentar e aumentar ainda mais a qualidade da educação no município, que tradicionalmente mantêm médias no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) acima da nacional nas séries iniciais e finais do ensino fundamental. Enquanto no país a média nas primeiras turmas é 5,3, em Jaraguá os alunos conquistaram 6,9 no ano passado. Nas séries finais, as notas foram de 4,1 no Brasil e 5,6 no município. “Nosso intuito é realizar um trabalho que traga resultados em longo prazo para a população e que possa permanecer nas gestões seguintes”, afirma o secretário. Para isso, os projetos serão aplicados inicialmente em escolas selecionadas pelo setor. De acordo com o diretor de ensino, Antônio de Souza Junior, a proposta é começar pelas “pontas do município, onde há maior vulnerabilidade social e as crianças não possuem muitas condições de acesso a essas atividades”. Na semana passada, a secretaria já recebeu três kits de materiais para laboratórios de ciências. Os itens serão destinados às escolas Cristina Marcatto, Professor Francisco Solamon e Renato Pradi. A estrutura, como destaca Jung, pode ser utilizada nas disciplinas de ciências, matemática, química e até mesmo de artes. Os kits, que custaram R$ 7 mil, devem ser aproveitados pelos professores que possuem perfil para atividades em laboratório. “Os estudantes querem aulas diferentes, onde o conteúdo seja apresentado de forma mais atrativa. O que também torna mais fácil a compreensão do conteúdo e alinhamento da teoria com a prática”, enfatiza a gerente de ensino fundamental, Iraci Müller. O projeto deverá estar ativo em todas as escolas do município dentro de dois a três anos. Criado em 2010 e paralisado em 2015 devido à falta de recursos, o projeto de robótica também será retomado neste mês. Os kits são compostos pelos materiais adquiridos em 2008 que não estavam sendo utilizados nas unidades escolares. “O projeto já existia, mas vamos reativar e estruturá-lo melhor. Neste primeiro momento, o único investimento será na capacitação de cinco professores. Mas, ainda vamos buscar recursos para comprar novos kits, que possam ser programados pelos celulares ou tablets dos alunos”, explica Jung. Para 2018, o secretário estima um investimento de R$ 160 mil no projeto. As escolas beneficiadas nesta etapa serão a Helmuth Guilherme Duwe, Ricieri Marcatto, Marcos Emílio Verbinnen, Luiz Gonzaga Ayroso e Ribeirão Cavalo. As aulas serão no contraturno, com foco na área de programação. “Vamos trabalhar com base nos desafios, assim como ocorre nas Olimpíadas de Robótica. Os professores estão muito empolgados e já planejamos uma apresentação no Movimenta Jaraguá, que acontecerá na Arena. Um dos nossos parceiros é o Senai”, destaca Jung. O setor visa conquistar uma vaga na Olimpíada nos próximos anos. “A robótica não desenvolve apenas a física, trabalhando com a matemática e inglês, por exemplo. Esse contato dos estudantes com a tecnologia é extremamente importante, considerando que as profissões do futuro estão ligadas à inovação. Quando chegarem ao mercado de trabalho, já estarão preparados”, avalia Jung. REFORÇO PARA AS UNIDADES COM ÍNDICES ABAIXO DA MÉDIA  Outra proposta que deve entrar em ação ainda em agosto é o reforço nas escolas que estão com médias abaixo do índice do Ideb municipal nas séries finais (17 unidades) e iniciais (11). Segundo o secretário de Educação, Rogério Jung, as aulas serão mais intensas nas classes finais porque a média delas está mais baixa, com 5,6. “O reforço já existia, mas não era feito pela Educação de forma institucional. Estamos nos reunindo com os diretores para definir alguns ajustes. A ideia é que os próprios professores de português e matemática das turmas sejam os responsáveis pelas aulas extras, pois já reconhecem as dificuldades dos estudantes”, observa Jung. Os horários serão divididos no período de contraturno e grade curricular habitual das escolas. Novos professores também serão contratados para o projeto, que será direcionado para as matérias de português e matemática. AULAS DE ALEMÃO NO BAIRRO RIO DA LUZ  Os alunos do terceiro, quarto e quinto ano do ensino fundamental da escola Professor Henrique Heise, no bairro Rio da Luz, terão aulas de alemão a partir da segunda quinzena de agosto. O projeto, conforme a gerente de ensino fundamental, Iraci Müller, foi elaborado para preservar e resgatar a cultura germânica existente na localidade, tombada pelo Iphan. No dia 9, será realizada a primeira reunião com os pais dos alunos para divulgação e esclarecimento da iniciativa, que deve envolver toda a comunidade. A secretaria conta uma parceira com um instituto alemão para planejar o conteúdo aplicado e estuda a possibilidade de estender o projeto para o bairro Nereu Ramos, porém, com aulas de italiano. Reportagem de Dyovana Koiwaski para o jornal O Correio do Povo | Foto: Eduardo Montecino