A personagem Momo já faz parte do imaginário popular na era da internet. Após aterrorizar os pais de crianças no Whatsapp, agora ela retorna em notícias de que ela é usada para ensinar menores a cometer suicídio em vídeos de slime, uma espécie de massa caseira maleável, no Youtube Kids.

A influência da personagem estava recentemente em evidência na mídia e voltou ao debate público após um garoto de 11 anos cometer suicídio nesta sexta-feira (22), em Itapema. A mãe relatou à Polícia Militar que o menino passava horas na frente do computador e que comentou sobre a Momo na noite anterior.

Especialista em direito digital, o advogado Rafael Rocha Lopes, divulgou um vídeo em seu Instagram falando sobre o tema. Segundo ele, não há comprovação de que os vídeos foram veiculados em contas do Youtube Kids. O Google também desmente que o conteúdo foi publicado na plataforma.

“A própria administradora nega que isso tenha acontecido, não recebeu denúncias ou informação específica, pelo menos até agora. E pediu que, caso alguém veja vídeos com a Momo, que seja relatado”, comenta.

A origem

A imagem da Momo teve origem na escultura do artista japonês, Keisuke Aiso, de 46 anos. A obra em silicone intitulada “Mulher-pássaro” foi criada em 2016 e é inspirada   em personagens sobrenaturais que aparecem no folclore japonês e chinês. Uma dessas histórias é a de um fantasma de uma mulher que morreu durante uma gravidez e assusta e machuca crianças.

“Em 2018, ela serviu de instrumento para pessoas de má índole a induzir (através do Whatsapp) crianças e adolescentes a se machucarem e até se suicidarem. A história repercutiu no mundo inteiro, inclusive no Brasil houve casos. Agora, novamente através de supostos vídeos no Youtube Kids, não há nada comprovado, e os pais começaram a distribuir esses vídeos pelo Whatsapp”, descreve.

De acordo com Lopes, essa distribuição do conteúdo gerou uma demanda porque muita gente pesquisou o assunto na internet. Isso fez com que os algoritmos dessem relevância para o assunto.

Conversa e fiscalização

O advogado ressalta a importância da conversa entre pais e filhos para evitar que fatalidades ou incidentes ocorram. Também é importante que os pais mantenham a comunicação com as escolas. “Todos têm que estar a par dos riscos da internet”, frisa.

Lopes afirma que ficou espantado que crianças de 4, 5 e 6 anos com acesso ilimitado ou sem fiscalização aos conteúdos disponíveis na internet. Para ele, mesmo que a Momo não apareça da forma com que está sendo veiculado e outros conteúdos inapropriados podem aparecer.

“Há muita coisa ruim na internet e é preciso ter uma preocupação dos pais nesse sentido. A conversa e o esclarecimento, até porque o proibido é mais atrativo para as crianças e adolescentes, são importantes para que surpresas desagradáveis não venham pela frente”, destaca.

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