O dia foi agitado na área policial no Extremo Sul catarinense. Por volta das 7h30min, um homem, de 28 anos, armado com uma faca, invadiu a residência do ex-patrão, em Balneário Gaivota, e rendeu os filhos e a mulher.

Mesmo após liberar todas as vítimas, já no final da tarde, o sequestrador ainda não quis se entregar à polícia e partiu para cima dos policias, quando foi morto.

 


Como exigência para liberação de um dos filhos, ele quis contato com a imprensa. Com uma vasta experiência no jornalismo policial na região, a repórter Karin Mariana, do Portal Agora, foi quem fez o contato.

Segundo ela, a equipe do Portal Agora chegou ainda pela manhã, por volta de 9h30min, quando uma adolescente já havia sido liberta.

“Por volta das 10h chegou a equipe do Bope, do Cobra, para fazer toda a negociação e, nesse momento, uma criança de colo foi liberta. E prosseguiu a negociação. Às 13h, ele queria conversar com alguém da imprensa, libertando outro filho adolescente do casal, de 14 anos. A imprensa da região Sul estava em peso presente e fui conversar com ele”, relatou.

A conversa com o sequestrador foi por telefone, na frente da residência.

Fotos: Romildo Black / Portal Amorim

“Ele só queria dizer que amava o filho dele, a mãe e os irmãos e que não tinha mais o que fazer. Tentei conversar mais, para ouvir ele e dizer que podia se entregar, mas ele dizia que não, que já sabia o que ia fazer”, complementou.

De acordo com Karin, a impressão que ele passava é de que iria cometer suicídio a qualquer momento.

“E a preocupação era em relação à vítima. Foram mais de dez horas de negociação e, só a mulher, ficou quatro horas sozinha com ele. Então, a preocupação da imprensa e da polícia era de que ele poderia matá-la, já que não queria se entregar. Ele queria morrer e a apreensão maior era de que poderia matar ela a qualquer momento e se matar, ou esperar a polícia invadir. A polícia invadiu, negociou e libertou ela. A polícia tentou conversar com ele ainda, foi mais um tempo de negociação, jogaram uma bomba de efeito moral e ele partiu para cima dos policiais com a faca na mão e acabou sendo abatido. Foram horas acompanhando esse desfecho, mas felizmente das quatros vítimas que ele fez reféns durante essas horas, ninguém se feriu, mas ficará o abalo psicológico”.

Karin está há dez anos somente no setor policial e diz que esta foi a primeira vez que participou, diretamente, de uma negociação de sequestro.

“Foi bem intenso, porque foram dois contatos que o sequestrador fez com os policiais para que eu falasse com ele, escutasse o que ele queria dizer, e tinha que ter todo um cuidado do que eu iria falar, pois como ele estava com pensamentos suicidas, não poderia deixar ele nervoso, mais tenso ainda. Foi marcante”, finalizou.