O que levou dois homens a supostamente sequestrarem um helicóptero em Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, e seguirem até Joinville, na última quinta-feira (8)? Esta é a principal pergunta que a investigação instaurada pela Polícia Federal de Joinville deve esclarecer, durante o inquérito que já foi instaurado. Em paralelo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apura as condições da queda da aeronave que protagonizou uma das maiores tragédias aeronáuticas de Joinville. Ainda não há novidades oficiais sobre o caso. Quer receber as notícias do Jornal de Joinville no WhatsApp? Basta clicar aqui Desde o dia do incidente, uma série de teorias começaram a circular nas redes sociais. Uma delas dizia que o piloto do helicóptero, Antônio Mário Franco Aguiar, 56 anos, teria sido obrigado a vir a Joinville para fazer um suposto resgate de um preso no complexo prisional da cidade, onde está a Penitenciária Industrial e o Presídio Regional de Joinville.
Penitenciária Industrial de Joinville fica a 2,5 km do local da queda | Foto Secom/Prefeitura de Joinville
Nesta segunda-feira (12), o diretor do Presídio Regional de Joinville e o da Penitenciária, negaram ter havido qualquer movimentação suspeita na unidade, no dia do acidente. “Tudo ocorreu na mais completa normalidade. Nossas equipes também não registraram nenhum voo sobre o complexo prisional. A ideia de que um helicóptero pudesse resgatar um preso da PIJ é muito improvável. Temos grades em cima dos pátios, não teria como um apenado sair. Além disso, temos um grande aparato bélico pronto para ser usado em situações extremas de emergência”, disse o diretor da Penitenciária Industrial de Joinville, João Renato Schiiter. Quando questionado se algum preso foi transferido após o incidente, Schiiter desconversou, alegando que por motivos de segurança e até mesmo diante da investigação do caso pela Polícia Federal não poderia dar detalhes sobre o caso.
  • Tudo aconteceu na tarde da quinta-feira, 8 de março, depois de dois homens irem até a base da empresa Avalon Táxi Aéreo, que fica em frente ao Parque Beto Carrero World, em Penha. Eles contrataram um sobrevoo em Joinville, alegando que queriam fotografar um terreno na cidade. Para isso, pagaram R$ 3,1 mil em dinheiro.
  • Os dois homens embarcaram no helicóptero da marca Bell, modelo 206B Jet Ranger III, fabricado em 2010, com prefixo PR-HBB, junto ao piloto, Antônio Mário Franco Aguiar, 56 anos, o ajudante de pista, Bruno Siqueira, 21. Um dos passageiros viajou ao lado do piloto na frente da aeronave, e o outro foi na parte de trás ao lado do auxiliar de pista.
  • Já em Joinville, às 15h40 o helicóptero cai e explode em frente a duas casas da Servidão Adenilda Roeder, no bairro Paranaguamirim. Piloto, auxiliar de pista e um dos passageiros morreram na hora. Eles tiveram os corpos carbonizados.
  • Um dos passageiros, identificado como Daniel da Silva, 18 anos, sobreviveu. Ele está internado em estado grave no Hospital Municipal São José de Joinville. Logo após a queda, a Polícia Militar descobriu uma pistola e um revólver, em meio aos escombros. Também foi apurado que Daniel é ex-detento do Presídio Regional de Joinville, e estava em liberdade provisória.
  • Isso, aliado a informação de que o piloto do helicóptero teria emitido um alerta as autoridades dizendo que a aeronave estava sendo sequestrada - fato que ainda está sendo confirmado – levantaram as suspeitas de que os dois homens tomaram o helicóptero para fazerem o resgate de um preso da Penitenciária Industrial de Joinville. O helicóptero caiu a exatos 2,5 quilômetros do complexo prisional de Joinville.
  • O nome do preso que supostamente seria resgatado começou a circular nas redes sociais, e o apenado foi transferido para uma prisão de segurança máxima. Daniel teve a prisão decretada e está internado com escolta policial.
  • O Jornal de Joinville conversou com os diretores das cadeias, que negaram qualquer movimentação estranha naquela quinta-feira nas unidades prisionais.
  • Como o suposto crime de sequestro seguido de acidente aconteceu no ar, o caso foi repassado à Polícia Federal de Joinville, que apura a parte criminal dos fatos. Já as causas do acidente são investigadas pelo Cenipa.