Quase 40% dos detentos do Presídio de Jaraguá do Sul trabalham

Presos que trabalham nas oficinas têm seleção criteriosa | Foto: Cláudio Costa/OCP News

Por: Claudio Costa

28/11/2023 - 05:11 - Atualizada em: 28/11/2023 - 07:44

Jaraguá do Sul é considerada a cidade mais segura do Brasil. E um dos fatores que contribuem para este cenário são as ações de reinserção social para os apenados realizadas no Presídio Regional de Jaraguá do Sul. Segundo a direção, 37% dos 629 presos dos regimes aberto e semiaberto trabalham. Eles atuam em oficinas na unidade e também fora do presídio por meio de convênios. Além da ressocialização, o envolvimento dos presos com o trabalho também mantém a ordem dentro da unidade.

O diretor Ricardo Ortiz destaca que o projeto é realizado na unidade há bastante tempo e conta com o apoio importante das empresas da região. Ele adianta que estão em tratativas o aumento o número de vagas de trabalho para os presidiários nos próximos meses.

“Nós temos duas oficinas com vagas para 28 presos cada no chamamento, faltando apenas a assinatura do contrato. Foi aberto mais um edital para a abertura de uma oficina e estamos aguardando a contratação das empresas. Além disso, temos outro edital para envolvimento de mais 30 presos para trabalhar fora do presídio”, frisa Ortiz.

Apenas presos que já foram condenados podem trabalhar, ou seja, aqueles que são provisórios não podem participar do programa. Além disso, há uma seleção criteriosa do perfil do apenado. A medida é importante para não ocorrerem problemas durante o período laboral.

“Uma comissão da qual fazem parte uma psicóloga e uma assistente social realizam a seleção dos presos. Além da questão comportamental e física, avaliamos se o preso tem filhos e se pagam aluguel, por exemplo. Se for um preso problemático, com histórico de tentativa de fuga ou mesmo de brigas, é deixado de lado até que apresente um bom comportamento”, destaca o diretor.

“Muitos dos presos aprendem uma profissão aqui e têm aqueles que nunca trabalharam antes. Do salário mínimo, 75% ficam com o apenado e 25% vão para o fundo rotativo da nossa regional. Além do pagamento, eles têm direito a remissão de pena. A cada três dias trabalhados, o preso vai receber um a menos na pena”, completa.

 

Cadeia mais tranquila

Com o trabalho durante a pena, a tendência é que haja uma rotina. Com isso, os apenados também se afastam das facções, um problema presente em todos os presídios do país. Segundo o chefe de segurança do presídio, Evanildo Rossio, isso acaba garantindo uma maior ressocialização dos presos.

Ortiz (E) é o diretor do presídio e Rossio (D) é o chefe de segurança | Foto: Fábio Junkes/OCP News

“Os presos acabam ficando mais comportados. Além da principal função, que é a guarda desses presos e a segurança da sociedade, a Polícia Penal promove a ressocialização dos presos através do trabalho. Essa atividade laborativa acaba promovendo a reinserção social do apenado”, ressalta Rossio.