O relatório Mapear, divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta semana, mostra que Santa Catarina é o sexto Estado com mais pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes em rodovias federais. A pesquisa aponta que, entre 2017 e 2018, o Sul do Brasil apresentava 575 pontos críticos, 122 deles em território catarinense.

Na última sexta-feira (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a equipe do jornal O Correio do Povo foi até a BR-280, em Guaramirim, para verificar se há pontos de exploração sexual infantil.

Prostitutas revelaram que não é permitido o trabalho de menores naquele trecho e que todas as adolescentes foram expulsas daqueles locais há muito tempo. Uma delas contou que há casos de menores que se prostituem em casas de prostituição em Araquari.

Apesar de não revelarem a idade com que começaram a se prostituir, uma das mulheres relatou que também não são permitidos os atendimentos a menores de 18 anos.

“Muitas vezes, os tios vêm aqui com o sobrinho, mas não fazemos o programa. Nossa profissão não é bem vista pela sociedade. Então, procuramos fazer tudo da forma mais correta”, explica uma delas.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o trabalho de fiscalização de casas noturnas nas rodovias federais do Estado são parte da rotina das guarnições.

Além da verificação da exploração do trabalho infantil nesses estabelecimentos, os agentes realizam abordagens dos clientes com o intuito de buscar drogas, armas ilegais, foragidos da Justiça além de verificar outros crimes que possam acontecer neste tipo de ambiente.

A PRF também ressaltou que há uma tendência na redução no número de operações de fiscalização desses estabelecimentos por causa dos cortes no orçamento da instituição pela União em 2017.

Polícia Civil realiza operações de rotina

Na região de Jaraguá do Sul, a Polícia Civil busca instaurar inquéritos para apurar as denúncias que recebe anonimamente. De acordo com o delegado regional, Adriano Spolaor, há um trabalho contínuo de fiscalização de estabelecimentos em conjunto com o Conselho Tutelar do município e com o Oficialato da Infância e Juventude.

“As casas noturnas, onde geralmente ocorrem a prática da prostituição, são fiscalizadas. Procuramos saber se há menores trabalhando, se menores estão entrando nesses ambientes”, destaca.

O delegado titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), Leandro Mioto, reitera que a delegacia especializada tem uma estrutura pronta para atender menores vítimas de exploração e abuso e exploração sexuais, com psicólogos e agentes especializados nesse tipo de ocorrência.

De acordo com ele, esses casos infelizmente são causados principalmente pela falta de uma estrutura familiar.

Prefeitura de Jaraguá do Sul realiza campanha

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), com o apoio da Prefeitura de Jaraguá do Sul lançou, nesta sexta-feira (18), a Campanha Monstro.

O objetivo é conscientizar a população sobre as formas como essa violência é manifestada e também para incentivar a comunidade jaraguaense a denunciar esses casos.

A iniciativa foi motivada pelo alto em 2017, quando foram registrados 72 casos, dos quais três envolveram estupros. A campanha centra no ambiente familiar, onde 70% dos casos são registrados.