A Promotoria da Infância e Juventude de Indaial, município da região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, pediu nesta sexta-feira (25) a internação provisória do adolescente J., de 15 anos, que agrediu a professora Marcia Friggi, 51, dentro da sala da diretoria do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) de Indaial. O rosto da professora, todo ensaguentado e posteriormente com pontos no supercílio em decorrência da agressão a tapas e socos, ficou conhecido em todo o país depois que ela postou, no início da tarde de segunda-feira (21), as fotos em seu perfil no Facebook com um desabafo sobre a agressão sofrida depois de ter encaminhado o aluno à direção por mau comportamento.

Segundo o portal G1, a promotora Patrícia Dagostin informou que o adolescente se apresentou nesta sexta à promotoria com seu advogado, Diego Valgas, mas não quis falar sobre a agressão e manteve a versão dada à polícia, de que se sentiu "injuriado" com a forma "deselegante" com que a professora o tratou. "O Ministério Público considera que conduta dele é grave. As fotos revelam como a professora ficou. Não bastasse isso, ocorreu dentro do ambiente escolar. Há um histórico de reiteração de agressões", disse a promotora.

A promotora protocolou o pedido de internação pelo prazo de 45 dias, enquanto não for concluído o processo. Caberá a uma juíza da Vara da Infância e da Juventude de Indaial apreciar o pedido e decidir ou não pela internação. À reportagem, o advogado do adolescente disse entender a medida como "um ato lamentável, que traria consequências irreversíveis".

Adolescente tem histórico de agressões

Conforme foi apurado pelas investigações, o adolescente tem um longo histórico de agressões. Ele passou a ser acompanhado a partir de abril do ano passado, quando agrediu um colega. Embora o advogado do agressor, Diego Valgas, tenha dito que ele agrediu a professora porque supostamente ela teria xingado sua mãe, o mesmo também é acusado de agressão contra a própria mãe, com quem mora.

A mãe, faxineira chamada Maria, contemporiza. Diz que não é bem assim, que o filho se meteu em uma briga entre ela e o padrasto, o que provocou a suposta agressão a ela. Novo surto de raiva provocou também, em abril deste ano, uma tentativa de agressão do estudante contra um representante do Conselho Tutelar, que o orientava. Ela disse que desde a agressão não saiu mais de casa para trabalhar e que a família também sofre ameaças.

Maria ainda confirmou que o filho cresceu em um ambiente violento e com um pai alcoólatra. Agora, o adolescente diz estar arrependido e frequentando uma igreja.

"Foi dado todo aparato de assistência a esse jovem, já havia sido aplicada a prestação de serviço comunitário, por conta da agressão ao colega. A avaliação é de que isso não consegue fazer com que ele pare com os delitos de violência", disse a promotora. Em entrevista à "Revista Veja", a mãe diz que ele toma medicamentos para controlar o humor.

Segundo o advogado Diego Valgas, que defende o adolescente, "nada justifica o pedido de internação provisória". "A internação provisória é prevista em casos extremos, quando nenhuma outra medida seja eficaz, sobretudo em casos de reiteração de condutas criminosas consideradas graves no ponto de vista jurídico. No caso, até a data de ontem o adolescente nunca recebeu qualquer atendimento especial. Nada disso foi lhe oferecido alguma dia. Houve sim uma única medida no passado: trabalho em instituição de caridade,onde, aliás, cumpriu com louvor", afirmou ao G1.

Professora relatou agressão em rede social | Foto Reprodução/Facebook

Diretora e secretária depõem

O delegado responsável pelo caso, José Klock, ouviu na tarde de quinta (24) a diretora e secretária que estavam na sala da direção na hora. "Basicamente, confirmam as agressões conforme havia sido dito pela vítima", disse o delegado. Elas também disseram que não era a primeira vez do aluno na unidade de ensino, mas sim a primeira aula dele com a professora Márcia Friggi. Segundo elas, o aluno estava há duas semanas no Ceja.

No relato da diretora, ela afirma que a professora estava alterada e o aluno mostrava um "ar de deboche", mas que ficou quieto e sem conseguir falar nada depois do ocorrido. Ainda segundo a diretora, foi solicitado que o aluno não fosse mais para a escola, pois outros alunos queriam agredi-lo.

De acordo com José Klock, o adolescente pode ter que prestar uma medida socioeducativa, como a prestação de um serviço, ou ser apreendido e internado por alguns meses.

A Prefeitura de Indaial afirmou em nota que, após encontro entre a Secretaria de Educação de Indaial e o Ministério Público de Santa Catarina, foi decidido que o aluno será suspenso até a definição do processo.