A professora Marcia Friggi, que dá aulas de língua portuguesa e literatura no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) e na Escola Prefeito Germano Brandes Júnior, em Indaial, no Vale do Itajaí, interior catarinense, alega ter sido agredida a socos por um aluno de 15 anos após ter solicitado que o mesmo se retirasse da aula por mau comportamento. A agressão ocorreu na manhã desta segunda-feira (21), no Ceja. A foto da professora, com o rosto ensanguentado, foi postada em sua página no Facebook, onde ela relata ter recebido uma sequência de socos na sala da diretoria, após ter expulsado o estudante de sala por mau comportamento. Em uma das fotos, ela mostra o chão e a roupa ensanguentada e levou pontos na sobrancelha. Em pouco mais de duas horas de sua postagem, a mesma já tinha mais de 45 mil compartilhamentos e centenas de comentários lamentando o desrespeito e pedindo medidas punitivas ao adolescente. Quase 400 mil no início da tarde desta terça-feira (22). Marcia descreveu com detalhes o que ocorreu após ela ter pedido que o aluno colocasse o livro sobre a mesa: "Estou dilacerada. Aconteceu assim: Ele estava com o livro sobre as pernas e eu pedi: - Coloque seu livro sobre a mesa, por favor. - Eu coloco o livro onde eu bem quiser. - As coisas não são assim. - Ahhh, vai se foder. - Retire-se por favor. Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia. Na direção eu contei o que tinha acontecido. Ele retrucou que menti e eu tentei dizer: - Como, menti? A sala toda viu... Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede. Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacera por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacera por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacera porque dilacera porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos l, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou. A vida... Lembrei dos professores do Paraná que foram massacrados pela polícia, não teve como não lembrar. Estou dilacerada pelos meus bons alunos, que são muitos e não merecem nossa ausência. Estou dilacerada, mas eu me recupero e vou dedicar a minha vida para que NENHUM PROFESSOR BRASILEIRO passe por isso NUNCA MAIS. (Não sei se cometi erro ao escrever, perdoem.)"