O inquérito policial do primeiro homicídio registrado no ano em Jaraguá do Sul teve sua fase final na tarde desta segunda-feira (14). Policiais civis da Divisão de Investigação Criminal (DIC), peritos do Instituto Geral de Perícias e o promotor de justiça Márcio Cota foram até o bairro João Pessoa para realizar a reconstituição do crime ocorrido em janeiro de 2017. Segundo o delegado titular da DIC, Daniel Dias, o crime é tratado pela polícia como legítima defesa. “Essa é a parte de finalização do processo criminal. O advogado contratado pela família da vítima solicitou a reconstituição dos fatos, que nós estamos realizando na tarde de hoje. No dia 9 de janeiro, data do crime, as partes foram levadas para a Delegacia de Polícia Civil, onde foi verificado que se tratou de uma legítima defesa. Houve uma tentativa de invasão da residência, uma luta entre eles. Houve um disparo de arma de fogo e a vítima morreu aqui. Os dois acusados, pai e filho, estão respondendo ao processo em liberdade”, explicou Dias. De acordo com o inquérito policial, o crime aconteceu no número 10.810 da rua Manoel Francisco da Costa. Após discussões anteriores, Gilberto Patsch, 47 anos, invadiu o terreno da residência pelos fundos e começou a xingar o casal que mora na residência. Gilberto estava armado com um machado e golpeou uma porta de vidro. Quando o agressor foi em direção de Josué Bernardo Sacht, 30 anos, e de sua mulher.
Crime registrado em janeiro é tratado como legítima defesa | Foto Cláudio Costa
Neste momento, o pai de Josué, Marino Sacht, 59 anos, deu um tiro com uma espingarda calibre .32 contra Gilberto. A vítima continuou a caminhar contra Josué e começou uma luta corporal entre os três homens. Eles começaram confronto no terreno da residência e Marino deu mais um tiro contra a vítima. A briga continuou fora do terreno e terminou em um córrego ao lado da residência. No local, Josué desferiu um golpe de machado no pescoço de Gilberto. Logo após o crime, Marino fugiu em um Ford Fiesta de cor prata. Os técnicos do Instituto Geral de Perícia (IGP) realizaram encenações com a presença de Marino, Josué e sua mulher. Ao todo, três versões foram reconstituídas pelos presentes. Todo o trabalho feito pelos peritos durou cerca de duas horas e envolveu todos os fatos descritos pelos envolvidos no crime. Josué e Marino Sacht respondem ao processo em liberdade. O laudo da reconstituição deve ficar ponto em aproximadamente 15 dias. O promotor de justiça Marcio Cota ressalta a importância da reconstituição para que ele decida o futuro do processo. Cota explica que o trabalho realizado pelos peritos é uma prova técnica. “É importante a participação do promotor de justiça porque ele quem vai definir se vai arquivar o procedimento, se vai oferecer a denúncia ou se vai levar ao júri mais tarde. Por isso, a importância do Ministério Público estar perto da produção da prova”, comenta o promotor, ao revelar que o processo pode ser arquivado se comprovada a tese de legítima defesa. “Se, por outro lado, a perícia e as demais provas apontarem que houve algum excesso, os réus podem ser processados e levados ao Tribunal do Júri”, finaliza. Veja também: [VÍDEO] Polícia Civil, IGP e Ministério Público reconstituem homicídio em Jaraguá do Sul