A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (19) a Operação Chabu, que visa desarticular organização que violava sigilo de operações policiais em Santa Catarina, e deteve, temporariamente,  o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro.

Segundo informações não confirmadas pela PF, agentes teriam ido ao gabinete do prefeito, por volta das 6h30min, cumprir mandato de busca e apreensão.

De acordo com nota emitida pela assessoria de imprensa da prefeitura da Capital, "informações preliminares dão conta de que não há nenhum ato ou desvio de recursos públicos relacionados a prefeitura e de que a suposta relação entre o Prefeito Gean Loureiro e os envolvidos não teria nenhuma ligação com eventuais atos. Prefeito já concordou em prestar todas as informações necessárias, aguardando agora para prestar depoimento na Polícia Federal".

Outro preso foi o  delegado Fernando Caieron, da Polícia Federal em Florianópolis. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de atrapalhar a investigação contra uma organização criminosa.

O ex-secretário de Estado da Casa Civil, Luciano Veloso, do governo de Eduardo Pinho Moreira (MDB), também estaria entre os presos.

De acordo com as informações divulgadas pela PF, foram 30 mandados, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária em Santa Catarina, expedidos pelo TRF 4 em Porto Alegre.

Rede de políticos, empresários e agentes públicos

Após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, foi apurado que a organização criminosa construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação, com o objetivo de embaraçar investigações policiais em curso e proteger o núcleo político em troca de benesses financeiras e políticas.

Durante as investigações foram apuradas várias práticas ilícitas, dentre as quais destacam-se o vazamento sistemático de informações a respeito de operações policiais a serem deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar “salas seguras” a prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

Os elementos probatórios obtidos durante as investigações apontam a prática de crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, além da tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

O nome Chabu significa dar problema, dar errado, falha no sistema; usado comumente em festas juninas quando falham fogos de artifício. Termo empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer.

 

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