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Polícia pede prisão preventiva de aluna da USP que desviou quase R$ 1 milhão de formandos

Alicia Muller em 2018/Reprodução/Redes Sociais

Por: Pedro Leal

31/01/2023 - 11:01 - Atualizada em: 31/01/2023 - 15:55

A Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça a prisão preventiva (sem prazo definido para acabar) da estudante de medicina da USP Alicia Dudy Muller Veiga, de 25 anos. A aluna da Universidade de São Paulo é investigada por desviar R$ 937 mil da formatura da turma. O dinheiro seria usado para a festa dos formandos do curso.

As informações são do portal G1.

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Nesta segunda-feira (30) ela foi indiciada pela polícia por ter cometido nove vezes o crimes de apropriação indébita em concurso material. O inquérito foi relatado pelo 16º Distrito Policial (DP), Vila Clementino, para o Ministério Público (MP) que irá se manifestar e a Justiça decidir.

“O caso foi investigado por meio de inquérito policial instaurado pelo 16º Distrito Policial (Vila Clementino). O procedimento foi relatado ao Poder Judiciário na última sexta-feira (27) com o indiciamento da autora por nove apropriações em concurso material. A autoridade policial representou pela prisão preventiva da autora, que está sob análise da Justiça”, informa comunicado da pasta da Segurança.

A SSP não explicou, no entanto, quais foram os motivos que levaram a delegacia a pedir a prisão de Alicia.

Segundo o 16º DP, a postura de Alicia quando foi ouvida pelos policiais foi de “uma pessoa que tem certeza da impunidade, a ponto de sair sorrindo do interrogatório.”

Por meio de nota, o MP comunicou que vai analisar as informações apresentadas pela polícia para “firmar a sua convicção a respeito dos fatos, o que poderá ensejar o oferecimento de denúncia” ou investigações complementares.

O TJ informou que não iria comentar o assunto por que “o inquérito policial é protegido pelo segredo de Justiça e pelo sigilo externo”, e “não informamos sobre pedidos de prisão, para não atrapalhar as investigações.”

A estudante foi ouvida pela polícia em 19 de janeiro, em São Paulo, quando confirmou que desviou os valores que seriam usados para a festa de formatura por entender que os recursos não estavam sendo bem administrados pela empresa contratada, mas fez “aplicações ruins” e acabou perdendo dinheiro.

No “desespero”, ela diz que tentou recuperar o montante fazendo apostas em uma lotérica.

Ela também admitiu que usou em benefício próprio uma parte das quantias para pagar despesas pessoais, como aluguel de carro, apartamento e compra de eletrônicos. A estudante afirma ter agido sozinha.

A defesa de Alicia divulgou nota à imprensa para informar que não há motivos para a polícia pedir a prisão da estudante.

“De acordo com entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, dada a natureza excepcional da prisão preventiva, ela só pode ser aplicada quando evidenciado o preenchimento dos requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal, e por ser medida excepcional, somente é DECRETÁVEL EM CASOS DE EXTREMA NECESSIDADE E CONDICIONADA a uma daquelas circunstâncias de referido artigo. Os fundamentos apresentados são vagos e por isso não são válidos para justificar o pedido da prisão preventiva, porque nada dizem sobre a real periculosidade da acusada, que SOMENTE PODE SER DECIFRADA À LUZ DE ELEMENTOS CONCRETOS constantes em referido procedimento investigativo! A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que “a simples invocação da gravidade genérica do delito ou da necessidade da medida para aprofundar as investigações, SEM APONTAR QUALQUER FATO EFETIVO E CONCRETO, não se revela suficiente para autorizar a segregação cautelar com fundamento na garantia da ordem pública”. Como a jurisprudência do STJ também estabelece que a presença de condições pessoais favoráveis, como primariedade e bons antecedentes, IMPEDE, POR SI SÓ, a decretação da prisão preventiva, a defesa está confiante no indeferimento de referido pedido”, informa trecho do comunicado assinado pelo advogado Sérgio Ricardo Stocco Caodaglio Giolo.

 

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).