A DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) de Jaraguá do Sul iniciou uma investigação sobre o Projeto Bombeiro Aprendiz Civil.

A iniciativa levantou suspeitas na cidade e resultou em uma comunicação à Polícia Civil.

De acordo com a delegada titular da DPCAMI, Roberta Franco França, o levantamento de informações está sendo feita de forma preliminar.

Roberta explica que ainda não é possível dizer se um inquérito policial será instaurado sobre o caso.

“Primeiro, precisamos ver se há indícios mínimos de crime, verificar se eles têm autorização para realizar esse tipo de curso, o que dispõe no contrato. Há várias coisas que ainda precisamos verificar”, comenta a delegada.

Pressa no parcelamento

A mãe de um menino de 11 anos entrou em contato com o OCP para falar sobre a questão.

Ela conta que viu um anúncio patrocinado em uma rede social e fez a inscrição em um site. A mulher conta que foi a uma reunião de pais na cidade, no dia 24 de janeiro.

“Eles disseram que o curso era totalmente gratuito e que nós iríamos pagar apenas materiais de uso pessoal. Chegando lá, não era bem assim. Nós tínhamos que pagar seis parcelas de R$ 150 para os materiais de uso pessoal. Se nós pagássemos no cartão de crédito, seriam quatro parcelas de R$ 150”, conta a mulher que não quis se identificar.

A mãe relata que “havia uma pressa em passar as parcelas no cartão de crédito".

Porém, o curso não tinha um local definido para começar. Ela lembra que muitos pais se sentiram enganados e foram embora.

Na internet, a mulher encontrou muitas reclamações sobre o projeto.

Sem parceria com voluntários

O Corpo de Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul foi procurado por pais sobre a iniciativa.

O comandante da corporação, Neilor Vincenzi, afirma que não há nenhuma parceria com a empresa que está oferecendo essas aulas.

“Nós temos o Projeto Bombeiro Mirim Aspirante. Porém, está pausado porque a gente está fazendo a captação de recursos para executar o projeto. É um projeto amplo e totalmente gratuito para crianças e adolescentes que participarem”, destaca o comandante.

Os bombeiros buscam parcerias com a iniciativa privada através do FIA (Fundo da Infância e do Adolescente), do CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente).

O projeto já foi aprovado e já há recursos na conta, mas o alcance depende de novas doações.

Os bombeiros voluntários têm até setembro para captar os recursos. Se não chegar no total necessário, a corporação deve reformular o projeto.

Esse recurso vai servir para cobrir despesas com transporte, alimentação, fardamento, psicólogos, pedagogos e educadores físicos.

“Esse projeto divulgado na cidade não tem nada a ver com a nossa corporação. Nós não conhecemos essa empresa e essas pessoas que estão executando esse projeto. Nós não temos nenhuma parceria e nem interesse de firmar qualquer parceria com esse projeto”, finaliza Vincenzi.

“Não há má-fé”

O OCP entrou em contato com William Drose dos Santos, gestor da iniciativa Bombeiro Aprendiz Civil no Sul do Brasil.

Ele explica que o Projeto Bombeiro Aprendiz Civil é privado e tem duração de 48 horas.

As 24 aulas ocorrem aos sábados. Segundo ele, o curso terá início no dia 20 de fevereiro e terá alunos entre cinco e 15 anos.

William explica que instruções serão ministradas por dois bombeiros civis, um casal, e as aulas terão foco na educação, na disciplina e na prevenção.

Também serão tratados temas como hierarquia, respeito bullying e racismo.

“Nossa oferta não fala que é isento de mensalidade, mas de taxa de matrícula e certificado. A gente faz uma cobrança do uso do material, é o custo da operação. Todo o material usado é o mesmo utilizado pelo bombeiro profissional civil”, justifica Santos.

O gestor lembra que todas as explicações foram dadas para os pais durante o encontro de 45 minutos no hotel. Ele cita que há aulas ocorrendo em outros municípios do Estado, todas com “repercussão positiva”.

“Não há nenhuma má-fé e ninguém é obrigado a nada. As aulas nem foram dadas e já estão levantando suspeitas. Pode ter algum problema na linguagem, porque as pessoas acham que é gratuito, mas todas as informações são ratificadas na palestra”, enfatiza.