A Polícia Militar vai abrir um procedimento para apurar as circunstâncias da morte do aposentado João Fernando Monteiro, 48 anos, em Guaramirim. Ele foi atingido por disparos durante uma ação da PM na noite de sábado (15), por volta das 20h, na rua Egídio Roberto Freitas, na localidade conhecida como Buraco Quente.

O caso teve início com uma briga de bar na região. Monteiro saiu ameaçando buscar uma arma em casa. Estava em seu jardim quando foi morto a tiros após, segundo os policiais militares, sacar uma pistola contra eles. A versão é contestada pela família, que diz que ele estava pegando a arma para entregar aos PMs.

O chefe da Seção de Comunicação do 14º Batalhão de Polícia Militar, major Aires Volnei Pilonetto, explica que todas as mortes cometidas por policiais militares durante o serviço são apuradas pela própria PM.

Para ele, os procedimentos realizados pela guarnição de Radiopatrulha que atendeu à ocorrência foram realizados conforme manda a técnica policial-militar. “Todo o processo, a princípio, numa primeira visualização, está de acordo. A abertura do procedimento é para confirmar essa situação ou não”, comenta.

De acordo com a PM, uma pessoa ligou para o 190 repassando as características de Monteiro e dizendo ter ouvido no bar que ele iria buscar uma arma em casa. A causa da desavença não foi informada.

Segundo a Polícia Militar, uma guarnição chegou ao bar no mesmo momento em que Monteiro chegava de volta com uma garrucha artesanal calibre 36.

Ao ouvir a voz de prisão, ele correu para a sua casa, localizada a uns 100 metros do bar. O aposentado já estava no jardim de casa e parou diante de uma nova ordem para largar a arma.

Neste momento, ainda segundo a PM, ele largou a garrucha e sacou uma pistola que carregava na cintura. Aí, as versões divergem. Segundo a PM, ele apontou a arma contra os policiais.

A família afirma que ele estava pegando a pistola para jogar no chão, como o fez com a outra arma. Então, os policiais revidaram a suposta ameaça com disparos de munições letais e não letais contra ele.

Socorro foi chamado

Com a vítima caída no chão, os bombeiros voluntários foram chamados. Ele foi levado inicialmente para o Hospital Santo Antônio, em Guaramirim. Depois de ser entubado, foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital São José, onde morreu por volta das 23h.

Pilonetto acredita que a chegada da Polícia Militar no local evitou que Monteiro pudesse fazer algum mal para outras pessoas.

“O cidadão empreendeu fuga e não obedeceu à ordem de parada. Num segundo momento, ele obedeceu, largou uma arma e sacou a segunda. Não deveria ter sacado, deveria ter largado a arma e mostrado as mãos aos policiais, indicando que não oferece nenhum perigo. A partir do momento em que ele faz menção de sacar essa segunda arma, a técnica policial já determina que ele possa ser neutralizado”, afirma.

O major ressalta que os policiais militares têm como missão a preservação da vida das pessoas que estão envolvidas na ocorrência, como o desafeto com quem Monteiro brigou nas imediações do bar.

“Os policiais militares foram lá para manter a ordem. Num segundo momento, ele não atende a verbalização dos policiais e, num terceiro momento, faz uma menção à vida dos policiais, sacando essa segunda arma, e, então, ele é neutralizado”, finaliza.

Pilonetto destaca que a ocorrência terminou da pior forma possível, com o uso da arma de fogo por parte dos policiais militares. Ele afirma que a PM desejava que ele obedecesse as ordens dos policiais militares e que essa ocorrência terminasse de outra forma.

De acordo o oficial, o momento da abordagem é o mais crítico em todo o serviço do PM. O major explica que o esperado é que o cidadão de bem atenda integralmente a verbalização dos policiais militares.

“Eu, como policial militar, se estiver à paisana, vou obedecer integralmente, estando armado ou não. Não vou realizar nenhuma medida e vou mostrar as minhas mãos, que é de onde vem o perigo, e vou me submeter às informações que o policial está me passando. O esperado é isso e não foi o que aconteceu na ocorrência”, descreve Pilonetto.

Família contesta ação policial

A família de Monteiro tem versão diferente para a ação que culminou com a morte dele. Ele estava aposentado há dois anos, após trabalhar por cerca de 22 anos na WEG. Os parentes  afirmam que a pistola calibre .380 de fabricação argentina era legal, ou seja, havia o registro legal da arma.

Um das filhas da vítima, Kaline Monteiro, 23 anos, informa que o pai tinha porte de arma. Segundo ela, a sua irmã mais nova, de 15 anos, presenciou toda a abordagem que resultou na morte do pai.

A adolescente contou que o pai foi armado para o bar e retornou sozinho para casa, pois provavelmente havia desistido no meio do caminho. No momento em que entrou no jardim da sua casa, a Polícia Militar chegou e o abordou.

“Mandaram ele erguer as mãos e jogar a arma no chão. Ele jogou uma e, quando ele foi pegar a outra que estava na cintura, alvejaram ele com três tiros”, comenta, ao ressaltar que o pai não chegou a apontar a pistola contra os PMs.

A garota conta que os policiais militares não deixaram a família chegar perto do corpo de Monteiro e que chegaram a apontar armas contra elas. Segundo ela, haviam diversas guarnições no local e a abordagem ao pai levou no máximo três minutos.

A adolescente confirma que os policiais militares chamaram por socorro e que o as equipes de emergência levaram cerca de dez minutos para chegar no local.

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