Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, das 1.206 mulheres que foram vítimas de feminicídio em 2018, 61% eram negras.

Membro do Movimento de Consciência Negra do Vale do Itapocu, Sandra Maciel explica que a violência contra mulher negra é potencializada e que elas também sofrem mais com outros tipos de violência, como a obstétrica.

"A mulher negra é que tem as maiores dores, dentro de casa e fora dela, e o que essa mulher negra enfrenta também nos locais de trabalho", declara.

De acordo com Sandra, a história do Movimento de Consciência Negra do Vale do Itapocu (Moconevi) nasceu por conta de um mau atendimento a uma mãe dentro de um hospital na região.

"A enfermeira simplesmente disse "essa negra que se dane". Ela estava quase morrendo, e dois médicos foram testemunhas nesse caso em que o corpo de enfermagem negou atendimento para aquela mãe", lembra.

Violência obstétrica

Membro da União Brasileira de Mulheres e do Moconevi, Sanda Maciel | Foto Adilson Amorim/OCP News

Violência obstétrica é um termo que vem ganhando fôlego nos debates em torno da violência contra a mulher, e tem ajudado a estabelecer limites na relação entre gestante e equipe médica.

As mais comuns, segundo o estudo “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, são gritos, procedimentos dolorosos sem consentimento ou informação, falta de analgesia e até negligência.

 

 

Segundo levantamento da Fundação Perseu Abramo, no Brasil a violência obstétrica atinge uma em cada quatro mulheres, e a mulher negra tem mais chances de ter atendimento negado e de não receber a medida anestésica correta para aliviar a dor na hora do parto.

"Tem a violência dentro do hospital. É um fato nacional que mulheres negras recebem menos anestesia na hora do parto. É muito grande o nível de mulheres que relatam as violências que sofrem", destaca Mariana Franco, membro da União Brasileira de Mulheres.

"Então, são violências que acometem todos os âmbitos da vida de uma mulher, e vejo isso como um passo fundamental que a gente tem que ter já no período da educação básica", completa.

Apoio do Creas às vítimas de violência

O Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) presta apoio a mulheres vítimas de violência em Jaraguá do Sul.

O contato é realizado através das equipes técnicas do órgão, onde a vítima de violência se direciona a uma das unidades que estão localizados no bairro Nova Brasília e no Baependi, ou através do telefone de contato: (47) 3275-2343.

O secretário de Assistência Social e Habitação, André de Carvalho Ferreira, destaca que o atendimento nos Creas é realizado em várias etapas.

A Polícia Militar geralmente é a primeira a ser acionada, pelo contexto de violência. Depois, a Delegacia de Polícia da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso [DPCAMI], que vai atender as mulheres vítimas de violência, que recebem orientação ou a possibilidade de ir ao Creas.

"Mas o público que a gente atende é uma parcela muito pequena, somente das mulheres que entendem que, através do nosso serviço, poderão receber o acompanhamento de um psicólogo, assistente social e de toda a nossa equipe técnica", ressalta André.

Nos Creas, não são cumpridas as medidas judiciais, que ficam a cargo da Rede Catarina. A unidade faz um trabalho de acompanhamento, para que a vítima vença o ciclo da violência que está vivendo naquele momento.

Encaminhamentos

Ao receber a vítima, a equipe do Crea faz a acolhida e verifica a situação de violência que a mulher está vivenciando.

A partir daí, pode haver vários encaminhamentos, desde um aluguel social, quando ela precisa sair da casa, ou um auxílio para passagem, se necessitar ir embora do município.

"Ela pode ter filhos e, então, precisa ter todo um vínculo com o Conselho Tutelar por causa dessas crianças. Nossa equipe está pronta e especializada para atender cada mulher vítima de violência que chegar", destaca.

Secretário de Assistência Social e Habitação, André de Carvalho Ferreira | Foto Adilson Amorim/OCP News

A equipe do Creas é técnica e multidisciplinar, podendo atender tanto a violência física como a sexual.

Os profissionais passam por diversas especializações para a realização do atendimento e para dar suporte às vítimas.

Em 2019, foram atendidas 105 mulheres vítimas de violência, sendo que 41 delas chegaram às unidades na demanda espontânea.

Em 2020, de janeiro a maio, 38 mulheres receberam atendimento, 16 através da demanda espontânea.

O secretário enfatiza que a violência doméstica é histórica, e que o problema não veio com a pandemia.

Apesar de não poder ainda comprovar em números um aumento nos atendimentos do órgão neste período, ele diz que os dados ainda poderão sofrer aumento em julho.

"Os nossos números poderão aparecer agora, porque desde o dia 18 de março nós estávamos sem transporte público, então as mulheres não podiam sair do seu lar para chegar a um dos nossos equipamentos", destaca.

Confira a reportagem 'Por elas' da OCP TV:

Part.1

Part.2

Receba no seu WhatsApp somente notícias sobre Segurança Pública da região (Trânsito, Operações Policiais. etc...):

Whatsapp

Grupo OCP Segurança

Telegram

OCP Segurança