Os dados apresentados no início de junho pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) através do Atlas da Violência elevaram Jaraguá do Sul ao status de cidade mais pacífica do país. Os dados analisados são referentes ao ano de 2015 e a cidade atingiu a menor taxa de homicídios, com apenas 3,1 para cada 100 mil habitantes. A cidade, que à época contava com 163.735 habitantes, superou outro município catarinense, Brusque, que alcançou o segundo lugar no ranking positivo. Naquele ano, Jaraguá do Sul registrou cinco homicídios e uma morte violenta com causa indeterminada, de acordo com o documento. Embora o título seja positivo, os dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina mostram que no primeiro trimestre deste ano, alguns índices criminais cresceram na cidade em relação aos registrados em 2016. Um dos índices que podem servir de exemplo é o de furtos, que nos três primeiros meses de 2017 tiveram um crescimento de 27,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto em 2016 foram 308 registros de furtos no primeiro trimestre, neste ano o número saltou para 393. E, até mesmo os registros de homicídios aumentaram. Entre janeiro e março de 2016 nenhuma morte violenta foi registrada em Jaraguá do Sul, neste ano, nos três primeiros meses, duas pessoas foram assassinadas. O primeiro homicídio do ano passado aconteceu somente no mês de abril e a cidade encerrou o ano com seis assassinatos. Apesar deste aumento, para o delegado regional Adriano Spolaor, esses não são dados preocupantes. Ele considera normal essa oscilação em um período curto como o de três meses. “No meu entendimento é absolutamente normal esse aumento, até porque, depois pode ter uma queda superior a esses números. Não é nenhum dado preocupante. Nós estamos trabalhando bastante para diminuir o índice de crimes e, hoje, o menor índice de assaltos do estado é de Jaraguá do Sul”, enfatiza. Além do índice de furtos, o número de acidentes de trânsito e de lesão corporal dolosa também cresceu em relação aos primeiros três meses de 2016. O aumento foi, respectivamente, de 14,9% e 33%. Apesar do crescimento em alguns casos, os jaraguaenses também obtiveram números positivos no primeiro trimestre. Em contrapartida ao número de furtos, o número de furtos de veículos recuou em relação a 2016. Enquanto no ano passado 50 veículos foram furtados em janeiro, fevereiro e março, neste ano, o recuo foi de 28%, ou seja, 14 veículos a menos. Os números foram positivos também no que diz respeito a ocorrências de posse ou porte de drogas para uso pessoal e estelionato. Foram 7 registros a menos de posse de droga e 15,7% de recuo nos casos de estelionato. O delegado regional comemora o status alcançado por Jaraguá do Sul como cidade mais pacífica do país, mas ressalta que isso não isenta a cidade de outros crimes. “Furtos e roubos vão acontecer. Não existe cidade isenta de crime, isso é impossível, ainda mais considerando o tamanho de Jaraguá. Não é porque somos a cidade mais pacífica que não haverá roubo”, avalia. Mas, ele alerta a população para que tenha consciência da condição privilegiada da cidade em relação às demais. Destacando os bons índices de mortes violentas, Spolaor afirma que os números são consequência de uma série de fatores. “É um conjunto de fatores. Fatores econômicos, sociais, culturais, geográficos. É necessário destacar também a participação popular junto às polícias através dos Consegs [Conselhos Comunitários de Segurança]”, analisa. Outro ponto fundamental na avaliação do delegado regional envolve diversos setores da segurança pública. Para ele, a integração entre órgãos como Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Civil e Polícia Militar é crucial para a obtenção de resultados positivos, pois reflete na qualidade da investigação, tendo como resultado um número elevado de crimes graves solucionados. “É também um fator importante a forma incansável e competente que as polícias civil e militar combatem o crime, em especial o tráfico de drogas”, completa. Spolaor explica que a conexão entre o tráfico de drogas e os demais crimes também reflete nos números da cidade. “No meu entendimento o forte combate ao tráfico de drogas é essencial para diminuir os demais índices de crimes, pois dificulta a instalação de gangues, de facções criminosas”, diz. O delegado alerta ainda para a realidade do país. Para ele, é necessário que a população jaraguaense tenha a consciência de seu privilégio, mas que também tenha os pés no chão e saiba que vive em um país com graves problemas sociais e de segurança pública. “Aqui não é o paraíso, até porque ele não existe, mas está tudo sob controle. E a nossa luta será para continuar, para melhorar ainda mais esses índices”, finaliza. O tráfico de drogas, salientado pelo delegado como estopim para o aumento da criminalidade, é, de acordo com os dados da SSP, baixo na cidade. Enquanto no estado foram instaurados nos três primeiros meses 1.827 procedimentos policiais por tráfico de drogas, em Jaraguá do Sul o número é de apenas 33. A vizinha Joinville registrou pelo menos 87 casos.