Jaraguá do Sul registrou um aumento de 12% no número de acidentes com motocicletas nos primeiros sete meses de 2021. O levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros Voluntários a pedido do OCP aponta que ocorreram 487 sinistros envolvendo motos entre janeiro e julho deste ano, contra 434 no mesmo período do ano passado.

O comandante da corporação, Neilor Vincenzi, destaca que houve uma queda no movimento do trânsito durante o início da pandemia do novo coronavírus. Neste ano, com a flexibilização das regras de distanciamento social, houve um aumento no fluxo de veículo e o aumento no número de acidentes.

“A gente pede que os usuários das vias tenham mais atenção. A redução dos acidentes não depende apenas do poder público e das entidades, mas de cada usuário da via. Se a gente puder ter mais cuidado e mais atenção, uma direção cautelosa, a gente vai conseguir melhorar esse índice”, explica Vincenzi.

Além do aumento do fluxo de veículos, houve também um aumento no número de motoboys na cidade. O grande número de motociclistas profissionais atuando na cidade impulsionado pelo aumento na demanda de delivery também teve reflexo no aumento de acidentes.

“A questão do aumento da atividade de motoboys reflete no alto índices de acidentes de trânsito. Até porque os acidentes envolvendo motos e carros são os que mais ocorrem. Entretanto, o fator mais grave para ocorrência dos acidentes está diretamente ligado a velocidade que os veículos transitam em nossas vias urbanas”, reitera o secretário de Planejamento e Urbanismo, Eduardo Bertoldi.

Motociclistas estão mais expostos

O chefe do 13° Núcleo Regional de Perícias, o Eduardo Linhares, explica que a gravidade das lesões em acidentes está diretamente ligada com a exposição da vítima no momento do trauma. Por exemplo, um carro, por sua natureza e volume, possui diversas camadas de proteção e segurança, isolando os ocupantes em uma eventual colisão.

“Já com relação a motocicletas, em razão da ausência de proteção, a dissipação da energia resultante de uma colisão ocorre diretamente sobre o corpo das vítimas. Em razão disso, mesmo em acidentes ocorridos em velocidades relativamente baixas, é comum a ocorrência de lesões graves (ou mesmo a morte) quando existem motocicletas envolvidas”, destaca Linhares.

O perito criminal destaca que colisões onde o motociclista é projetado para fora da motocicleta, a lei da inércia (um corpo em movimento tende a permanecer em movimento) faz com que a vítima percorra longas distâncias até sua completa imobilização. Isso resulta em traumas secundários, gerados a partir do arrastamento do corpo sobre a via, além de eventuais choques contra outras estruturas, como postes, muros e canaletas.

“A frágil proteção fornecida pelo uso do capacete, mesmo quando utilizado corretamente, não é suficiente para evitar a ocorrência de traumatismos cranianos em colisões mais severas”, finaliza o perito.