"Não era um sonho, mas realmente me apaixonei pela profissão". Com essa frase, Tânia Harada, que é a delegada regional de Joinville há pouco mais de um ano, contou em entrevista ao Jornal de Joinville que ingressou na carreira policial "por acaso". Ela acompanhou uma amiga em um concurso e acabou passando na seleção. Ao começar a trabalhar efetivamente, ainda na comarca de Seara (SC), descobriu que não queria fazer outra coisa da vida.
Delegada regional de Joinville, Tânia Harada | Foto Divulgação/Jornal de Joinville
Fazer a diferença na vida das pessoas Segundo Tânia, para ser delegada é necessário ter disciplina, força, coragem, senso de equipe e, principalmente, vontade de tornar o mundo um lugar melhor. Tânia considera que para exercer seu trabalho e querer continuar nele é determinante poder ajudar as pessoas. "Podemos enquanto policiais fazer a diferença positiva na vida das pessoas, trazer-lhes esperança e conforto. Considerando que muitas vezes somos a única ou última porta em que essas pessoas batem, é muito gratificante poder auxiliá-las. Nosso público em sua maioria é desfavorecido economicamente, são pessoas que não possuem outros recursos, como, por exemplo, a possibilidade de contratar um bom advogado. Ao efetuar a prisão de alguém que lhes fez mal, ou recuperar bens adquiridos a custa de muito sacrifício, lhes damos uma resposta do Estado e esperança". Poucas mulheres nos cargos de chefia Tânia reconhece que galgar postos mais altos em diversos segmentos é mais difícil para mulheres. Por isso, as mulheres que "chegam lá", seja em cargos de chefia, autoridade ou de destaque, são sua maior inspiração. Cita ainda que houve avanços na participação das mulheres na polícia civil, no entanto, em postos hierarquicamente superiores - cargos de chefia -, ainda são minoria. "Creio que o desafio da mulher é diário e em qualquer profissão. Somos testadas, duvidam de nossa capacidade e subestimam nossa força", acrescenta. Ocorrência marcante e o que poderia mudar em Joinville No exercício da profissão, o caso mais marcante para a delegada regional foi uma tentativa de homicídio. O caso foi atendido quando Harada era a delegada na Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) de Joinville. A vítima Maria de Fátima foi alvo de queimaduras com óleo quente e ácido sulfúrico pelo ex-companheiro que não aceitava o término do relacionamento. "A força dessa mulher, sua fé em Deus e capacidade de ver as coisas pelo lado positivo, mesmo diante de tantas sequelas, me marcaram para sempre", recorda. E, por fim, ao ser questionada o que faria se pudesse mudar algo em sua cidade, Tânia disse que gostaria de ter mais recursos humanos e materiais para poder ajudar a tornar Joinville um local mais seguro.

Delegacia da Mulher

Também delegada em Joinville, Georgia Marrianny Gonçalves Bastos atua há sete anos na Polícia Civil de Santa Catarina. Pós-graduada em Ciências Penais, Georgia escolheu o curso de Direito porque almejava a carreira policial. Há dois anos está desenvolvendo o trabalho à frente da Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) em Joinville. Anteriormente atuou nos municípios de Seara e Concórdia.
Georgia Marrianny Gonçalves Bastos | Foto Divulgação/RIC TV Record
A inspiração para a escolha da profissão policial civil foram a instituição em si e as roupas, uso de armas e as ações. "Também tinha uma tia já delegada de polícia que contribuiu para o fortalecimento do meu desejo. Almejava carreira federal, porém quando houve a nomeação para cargo aqui no estado deixei esfriar os estudos...e saí da fila, expressão usada por concurseiros", explica. Participação da mulher e desafios da profissão Georgia percebe que a participação da mulher vem crescendo gradualmente na instituição e que as dificuldades da profissão para as mulheres são vencidas. "É um universo predominantemente masculino, então surgem alguns desafios para nós e para eles, mas todos superados". Ela entende que a união de visões do homem e da mulher promove uma instituição mais forte. "A mistura de sensibilidade e ao mesmo tempo virilidade é ideal". Momentos marcantes como delegada Georgia acredita que a Polícia Civil é capaz de trazer conforto para dor e sentimento de abandono e injustiça. "Vejo no olhar das famílias quando atuamos!". Para ela o fato mais marcante durante o exercício da profissão foi um pai que estuprou a filha durante anos e com ela teve quatro filhos. Outro caso foi o menino que almejava ser soldado, postou uma foto com um policial militar nas redes sociais e foi morto por um colega, desafiado por uma facção criminosa, que queria mostrar alguma ação que surpreendesse o comando para entrar na organização. Mais recente, o caso do Jonatas. Todos me desafiaram enquanto profissional e ser humano", comenta. Foco e determinação são as dicas Para as mulheres que desejam começar carreira na polícia civil, ela disse que é preciso foco e dedicação. "Não há glória sem luta e dificuldades. Estude para isso e conheça melhor o universo da profissão. A Dpcami está de portas abertas aos estudantes", acrescenta.  A delegada também pensa que na carreira policial não cabe um perfil, mas é muito importante ser uma pessoa destemida porque há situações que exigem coragem extra. Delegacia da Mulher promove tarde da beleza  Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) promoveu na última segunda-feira (5) a “Tarde da Beleza”. Foram oferecidos serviços de corte, design de sobrancelhas e maquiagem. O objetivo da ação foi promover bem-estar a todas mulheres que procuram os serviços da delegacia especializada e resgatar a autoestima feminina. Quer receber as notícias do Jornal de Joinville no whatsApp? Basta clicar aqui VEJA TAMBÉM: - Mulheres que salvam vidas: policial militar vive nova fase com a gravidez – Voluntária ajuda a salvar vidas há quase duas décadas no Corpo de Bombeiros de JoinvilleMulheres que salvam vidas: juntas pela causa animal