Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, será ouvida nesta quarta-feira (19) durante a audiência de instrução e julgamento do processo em que responde por estelionato e falsa identidade. A mulher ficou conhecida após fingir ter 12 anos e viver durante 14 meses com uma família de Joinville, no Norte de Santa Catarina, que acreditava estar acolhendo uma adolescente.
Amanda completou 38 anos em 10 de junho. Ela foi presa no dia 2 de junho, em Joinville, após a descoberta da fraude.
Segundo o advogado Lúcio Sousa, que representa a acusada, Amanda participará da audiência por videoconferência, diretamente do presídio onde está detida. A sessão está marcada para as 18h, no Fórum de Joinville.
Após a audiência, a defesa informou que deverá se manifestar sobre o caso. Durante a sessão, serão ouvidas as partes envolvidas no processo.
Mulher viveu por 14 meses com família que acreditava ter acolhido uma pré-adolescente
A aproximação de Amanda com a família começou de maneira discreta, por meio da intermediação de um pastor de uma igreja local. Na ocasião, ela se apresentou como Gabriele e disse ter 18 anos, experiência na área de panificação e estar procurando uma oportunidade de trabalho.
Com o passar do tempo, Amanda passou a relatar problemas graves de saúde e dificuldades financeiras. Sensibilizada com a situação, a família começou a ajudá-la. Entre os itens fornecidos pelos moradores estava o medicamento Mounjaro, utilizado para perda de peso.
Depois de conquistar a confiança dos integrantes da família, Amanda mudou completamente a história que havia contado inicialmente. Ela passou a afirmar que tinha apenas 11 anos e que havia sido vítima de abusos.
Diante do novo relato, o casal decidiu acolhê-la em casa. A mulher passou a ser tratada como uma criança e recebeu, inclusive, uma festa de aniversário pelos supostos 12 anos. A família também preparou um quarto com decoração e brinquedos infantis.
Durante 14 meses, os moradores acreditaram que Amanda era uma adolescente que havia deixado o Pará após sofrer maus-tratos.
A situação só começou a ser descoberta depois que uma tia levantou suspeitas sobre a identidade da mulher. O relato chegou ao pai adotivo, que, junto com a família, procurou a polícia no fim de maio.
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, Amanda teria conquistado um forte vínculo emocional com os moradores.
“Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia”, afirmou.
Como o caso chegou à Justiça
Amanda foi presa em flagrante em 2 de junho. Após a prisão, a Polícia Civil concluiu o inquérito e encaminhou o procedimento ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
O Ministério Público denunciou a mulher pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A denúncia foi posteriormente aceita pelo Poder Judiciário, fazendo com que o caso se transformasse em um processo criminal.
Na sequência, a defesa apresentou sua manifestação por escrito. O Ministério Público teve prazo para responder e, depois, os advogados de Amanda também puderam apresentar uma réplica.
Com essas etapas concluídas, foi marcada a audiência de instrução e julgamento para esta quarta-feira (19), às 18h, no Fórum de Joinville.
O que acontece durante a audiência
A audiência de instrução e julgamento é a etapa em que são produzidas e analisadas provas no processo, incluindo os depoimentos das partes envolvidas.
Nesta quarta-feira, serão ouvidas a acusação, representada pelo Ministério Público, a defesa de Amanda e a própria acusada.
Após a fase de instrução, acusação e defesa apresentam as alegações finais, quando fazem uma última manifestação sobre as provas reunidas no processo e apresentam seus pedidos ao juiz.
Depois dessa etapa, o processo fica pronto para a sentença. A decisão, no entanto, não deve ser proferida no mesmo dia da audiência.
Exame de sanidade mental teve dois laudos
Amanda também passou por exame de sanidade mental realizado pela Polícia Científica em 26 de junho. Segundo o advogado Lúcio Sousa, ela realizou ainda uma segunda avaliação, conduzida por peritos escolhidos pela própria defesa.
De acordo com o advogado, os dois exames apresentaram resultados diferentes. O laudo elaborado pelos peritos oficiais teria apontado uma doença, enquanto o documento produzido pelos profissionais contratados pela defesa teria indicado três.
Os diagnósticos não foram divulgados porque o processo tramita sob sigilo.
Segundo Sousa, os dois laudos já foram entregues ao juiz e integram o conjunto de provas do processo. Os documentos deverão ser considerados pelo magistrado na análise do caso e na decisão final.