O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e a Polícia Científica do Estado firmaram uma parceria inédita para identificar, mapear e localizar crianças e adolescentes que perderam as mães em decorrência do crime de feminicídio. A iniciativa busca superar a fragmentação dos dados, que atualmente ficam dispersos em inquéritos policiais, dificultando a criação de uma estatística unificada.
O cruzamento dos bancos de dados das duas instituições permitirá integrar esses menores à rede estadual de assistência social, garantindo suporte psicológico e acesso a benefícios legais. Sem um registro oficial unificado, muitos dependentes deixam de receber a pensão especial do governo federal, que paga um salário mínimo, atualmente fixado em R$ 1.621, para órfãos de baixa renda menores de 18 anos. O projeto também pretende identificar casos de vulnerabilidade em que crianças sem apoio familiar são encaminhadas para abrigos institucionais.
Estimativas do Ministério Público apontam que cerca de 46% das mulheres assassinadas em Santa Catarina tinham filhos com o próprio agressor. O levantamento ganhou caráter emergencial diante dos índices de violência registrados em 2026. Entre janeiro e maio, 23 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, média de uma morte a cada seis dias.
Em junho, novos casos foram registrados em diferentes regiões catarinenses. Em Entre Rios, uma jovem de 25 anos foi morta a facadas dentro de casa, enquanto os filhos, de um e três anos, testemunharam o crime. Em Criciúma, uma estudante universitária de 21 anos morreu por asfixia. Já em Lages, Adriana Aparecida dos Santos, de 37 anos, foi encontrada sem vida em sua residência, na localidade de Coxilha Rica. A força-tarefa pretende consolidar o fluxo de informações para garantir assistência jurídica e social imediata aos dependentes dessas vítimas.