O motorista que atropelou as irmãs Pâmela Eduarda Tavares, na época com 12 anos, e Gislaine Ribeiro Martins Tavares, na época com 15 anos, foi condenado a três anos e cinco meses em regime aberto. O julgamento de Ederson de Souza, 34 anos, começou às 10h desta terça-feira (14) e terminou às 15h45 com a sentença pelos crimes de homicídio culposo, pela morte de Pâmela, e de lesão corporal culposa, pelas lesões sofridas por Gislaine. O julgamento aconteceu na sala do Tribunal do Júri no Fórum de Jaraguá do Sul. A sessão do Tribunal do Júri foi presidida pela juíza Anna Finke Suszek, a defesa foi realizada pelo defensor público Sidney Hideo Gomes e a acusação ficou a cargo do promotor Marcio Cota. Após o longo embate entre defesa e acusação, os jurados desqualificaram as acusações de homicídio doloso e tentativa de homicídio dolosa. O réu Ederson ganhou o direito de responder ao processo em liberdade. Anteriormente, ele chegou a ficar preso durante nove meses. Um dos momentos marcantes do julgamento foi o depoimento do pai das vítimas. O eletricista Paulo Tavares, 39 anos, falou sobre as filhas, que estavam indo para um treino de futebol no momento do atropelamento, e fez o réu chorar. “Pra mim, é uma sensação de justiça ele estar no banco dos réus. Ao mesmo tempo, eu sinto indignação porque a gente poderia não estar aqui. Se ele não tivesse causado o que causou, a gente poderia estar em outro lugar vivendo a nossa vida. Depois de quatro anos, todo dia é um dia de revolta. Eu só espero que seja feita justiça”, enfatiza Paulo. Tavares também falou sobre as sequelas sofridas por Gislaine, atualmente com 19 anos, após o acidente sofrido às margens da SC-110, no bairro Barra do Rio Cerro. “Depois de dois anos indo de casa para o hospital, ela está vivendo normalmente. Ela caminha, mas não consegue mais fazer o esporte que fazia, né? Mas ela está viva, com saúde e está bem”, comenta, ao revelar que ficou revoltado com o depoimento do acusado. Ederson argumentou durante o depoimento que não havia visto as meninas no acostamento e que, como o carro era rebaixado, não percebeu que havia atropelado alguém. “Ele falou coisas que não imaginava que iria falar”, desabafa. Atropelamento duplo O acidente que vitimou as jovens Pâmela e Gislaine aconteceu no dia 6 de setembro de 2013, por volta das 20h. O carro dirigido por Ederson, um Volkswagen Gol, estava em velocidade incompatível com a via. Alcoolizado, Ederson perdeu o controle do veículo, que invadiu o acostamento e atingiu as duas garotas. Elas estavam indo jogar vôlei e futebol na Escola de Educação Básica Duarte Magalhães e estavam de bicicleta.  Pâmela empurrava a irmã na garupa no momento do acidente. O irmão das vítimas, Patrick Eduardo Tavares, com 14 anos na época, acompanhou todo o atropelamento. Em depoimento, Patrick contou que as irmãs estavam longe da pista e da beira do acostamento nas proximidades da empresa Bell´Arte. Segundo ele, o Gol dirigido pelo réu fez uma ultrapassagem e fez a curva muito rápido. O automóvel colheu as vítimas.  Gislaine caiu e teve uma fratura exposta na perna e uma fratura na clavícula. Pâmela foi arrastada pelo veículo junto com a bicicleta por cerca de 50 metros e morreu no local do acidente. O motorista fugiu do local do acidente, mas parou após um quilômetro após o veículo apresentar problemas mecânicos.