Foto Eduardo Montecino/OCP News

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No último fim de semana Rafaela* e a família tiveram uma surpresa nada agradável e daquelas que nenhum pai e nenhuma mãe imagina receber. Depois de ser adicionada no bate-papo do Facebook por Tiago*, a menina, de apenas 12 anos, passou a receber mensagens insistentes.

Em uma das conversas, o jovem de 27 anos pede para marcar um encontro com a garota, mesmo após saber a idade de Rafaela e mentir que tinha 19 anos. “Vamo marcar algo gata. Dava pra mim ir aí” (sic), diz.

A conversa foi assumida pelos pais, Lucia e Mario*. Eles foram avisados pela garota. Lucia conta que, após o momento de choque, ao ver o teor das conversas e das imagens enviadas por Tiago, procurou orientação da polícia sobre como agir.

“Eu fiquei em choque. Quando ela me mostrou o celular e eu mostrei para ele [marido], não conseguia nem falar direito, estava em choque mesmo. Nunca imaginei que isso poderia acontecer com ela. Ainda bem que ela nos informou, mas eu fiquei sem ação, sem saber o que falar”, diz Lucia.

O conteúdo das mensagens está muito longe de ser apropriado para uma garota de 12 anos. “Queria comer você”, “Se eu bancar você fica comigo”, “Me manda uma foto pelada, pode ser de calcinha”.

E não parou por aí, além das mensagens insistentes, apesar da negativa de Rafaela, Tiago foi além e chegou a enviar imagens pornográficas para a garota.

Encontro marcado

Com o celular da filha em mãos, os pais “entraram no jogo” e se passaram pela adolescente com o objetivo de marcar um encontro e desmascará-lo. E assim o fizeram.

O primeiro encontro foi marcado para sexta-feira (30), por volta das 21h, quando, inclusive, policiais estiveram presentes no local. Após o atraso de Tiago, o novo encontro foi marcado para sábado (1º), também às 21h.

“Ele chegou por volta das 21h40. Marcamos aqui, no endereço comercial, quando ele viu que era uma armadilha, tentou correr e os vizinhos o seguraram”, conta o pai.

Contido pelos pais e pelos vizinhos de Rafaela, Tiago foi liberado, mas seu celular foi apreendido e no aparelho, as provas de todas as conversas que ele mantinha tanto com ela, quanto com inúmeras outras garotas.

“Conseguimos acessar o celular dele e, no Facebook, tinha mais mensagens que ele mandou para outras meninas, todas no mesmo nível, com foto e até piores. No WhatsApp ele adicionava os contatos como ‘Ana putinha’ e nas conversas com os amigos homens era só sujeira”, revela a mãe.

Todo o material como imagens das conversas, o celular do suspeito com o acesso às redes sociais, conversas, mensagens e fotos foi entregue à Delegacia de Polícia de Schroeder, que investiga o caso.

Segundo o escrivão Marco Willians Rosa da Silva, a estimativa é de que o caso seja concluído ainda neste ano. “Esta é minha pilha de prioridades”, disse apontando para os documentos e, entre eles, o caso de Rafaela.

Embora ainda não tenha concluído os depoimentos – apenas o pai da adolescente foi ouvido até o momento – o escrivão adianta que tudo o que a família conseguiu coletar está anexado e explica que o inquérito deverá ser instaurado por tentativa de estupro de vulnerável.

A importância do diálogo

Para a família, a melhor solução é a exposição do caso, para que outras adolescentes não sofram o mesmo que Rafaela.

A mãe garante que a menina está bem porque enxerga a ação dos pais com relação ao caso. “Ela está bem, está tranquila porque vê que estamos tomando providências, mas no começo ela ficou com medo”, conta.

Apesar do choque, a mãe ressalta a importância dos cuidados que devem ser tomados com os filhos na internet, salientando que proibição não é o caminho mais adequado.

“A internet hoje está muito sexualizada para você deixar o filho livre na internet. Você tem que colocar os limites e é bem difícil porque você coloca limites em casa, mas o coleguinha da escola não tem", diz.

"Você tem que orientar muito bem, se cercar de todo jeito, tem que alertar que lá fora ela vai encontrar outras opiniões, mas a opinião dos pais é muito importante. E não colocando medo, mas conscientizando, que é a melhor opção. Proibir é pior, conscientizar é a melhor coisa, você conscientiza que aquilo é errado e mostra as consequências que isso pode ter”, ressalta.

Para Mario, é fundamental que as pessoas conheçam o caso e como é possível agir, para que o alerta seja ligado sempre que houver qualquer mudança no comportamento dos filhos.

“Estamos tentando divulgar o máximo possível, porque mesmo se ele não for punido, mas que não volte a fazer e que as pessoas saibam e se conscientizem para que não aconteça com mais ninguém”, explica.

A mãe reforça que muitas pessoas não imaginam que esse tipo de situação possa acontecer com sua família.

“A gente sempre está conversando, alertando, eu até acho bom que publiquem mesmo porque isso serve de alerta, porque a gente acha que não acontece, mas está bem perto da gente", complementa a mãe.

Versão do suspeito

Para a família, Tiago afirmou ter sido assaltado, vítima de uma emboscada em Schroeder. Morador de Jaraguá do Sul, o jovem foi ao encontro de Rafaela e após ter o celular confiscado, voltou para casa contando uma história diferente daquela relatada no Boletim de Ocorrência registrado pela família da adolescente na cidade vizinha.

Movidos pela indignação, a família de Rafaela chegou a fazer uma publicação no próprio perfil de Tiago, acusando o jovem de “tentar molestar” a adolescente. Nos comentários, amigos e familiares saíram em defesa do suspeito, reforçando a versão de roubo contada por ele.

Em Jaraguá do Sul, Tiago registrou um boletim de ocorrência por roubo e calúnia, mas não contava com a entrega de seu aparelho celular na delegacia de Schroeder.

“Ele fez o boletim de ocorrência, mas o celular está aqui, não foi roubado. Esse boletim de Jaraguá do Sul já está anexado em copio junto às demais provas”, afirmou o escrivão.

Entre os comentários que saíram em defesa de Tiago, ameaças à família da adolescente. Segundo o escrivão, entre esta semana e a próxima, o suspeito, os familiares e a vítima devem ser ouvidos.

Aviso de conteúdo explícito

A imagem a seguir mostra um registro da conversa entre o suspeito e a menina de 12 anos:

Foto Reprodução

 

*Os nomes foram alterados para preservar a integridade dos envolvidos

 

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