A Justiça condenou 17 pessoas acusadas de adulterar leite à prisão e ao pagamento de multa, em Chapecó, no Oeste catarinense.

Ao todo, 24 suspeitos haviam sido denunciados pelo Ministério Público. Entre eles estão proprietários de laticínios, donos de transportadora, fornecedor de produtos químicos e colaboradores dessas empresas e de cooperativas.

 

 

Somadas, as penas chegam a 145 anos, 6 meses e 5 dias de prisão. Os réus também foram condenados ao pagamento de multa que ultrapassa, no total, R$ 240 mil.

Apenas dois deles tiveram as penas restritivas de liberdade substituídas por pagamento de um salário mínimo e prestação de serviço comunitário. As demais condenações determinam prisão em regime fechado. Todos receberam o direito de recorrer em liberdade.

Respondem ao processo representantes de quatro laticínios, duas cooperativas, uma transportadora e uma empresa comercializadora de produtos químicos. Todos os estabelecimentos atuam no oeste catarinense.

O caso

Segundo a Justiça, os laudos comprovaram a presença de produtos químicos em leite cru para manter a conservação e mascarar a má qualidade do produto.

A adição ilícita desses produtos químicos era realizada para que o leite destinado a outros estados mantivesse suas propriedades até a chegada ao local.

Quando, por algum motivo, o leite in natura retornava (porque percebiam a fraude ou o produto estava fora dos padrões), em vez de ser descartado, o leite era direcionado para a fabricação de queijo nos laticínios, evitando perdas e garantindo o aumento dos lucros.

Os acusados adicionavam peróxido de hidrogênio (água oxigenada) devido ao efeito antibacteriano que dissimulava más condições higiênico-sanitárias de obtenção, conservação e transporte.

O citrato de sódio era utilizado para prolongar a vida útil do leite até o beneficiamento, mascarando possíveis problemas resultantes da má conservação do produto ou de adições de água e outros diluentes.

Também foram encontradas quantidades de hidróxido de sódio (soda cáustica), que burlava a contagem de bactérias e fazia com que o leite fora dos padrões aparentasse estar em condições regulares.

Fonte: TJSC