Foto: EBC/Divulgação Reportagem de Dyovana Koiwaski para o jornal O Correio do Povo Uma onda de notícias sobre casos de tentativas e suicídios ligados ao jogo “Baleia Azul” vêm preocupando pais de crianças e adolescentes em todo o Brasil nos últimos dias. Apenas na madrugada do de terça-feira (18), a Prefeitura de Curitiba teria registrado cinco casos de jovens que tentaram tirar a própria vida por estarem participando do jogo de desafios. Em Santa Catarina, três tentativas são investigadas. Oito estados já emitiram alertas policiais e de saúde. Tanta repercussão fez com que a Câmara de Deputados aprovasse indicação para que o tema seja discutido em uma reunião na Comissão de Ciência e Tecnologia. Apesar do nome não aparentar riscos, o “Baleia Azul” se caracteriza por lançar desafios como assistir a filmes de terror, acordar de madrugada, desenhar baleias pelo corpo com objetos cortantes, criar inimizades, cortar os lábios, ficar doente e se suicidar, na 50ª e última missão. Os jogadores são convidados através das redes sociais a participar de grupos fechados para receber os comandos do jogo e, caso não os cumpram, podem sofrer ameaças. Muitos jovens estão procurando por conta própria tais organizações para dar início aos desafios. O assunto também ganhou visibilidade pelos casos relacionados à série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix, e que culminou no aumento de 445% na procura pelo Centro de Valorização à Vida (CVV) no país. Dados nacionais levantados pelo Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic) mostram que um em cada dez adolescentes com idade entre 11 e 17 anos acessa conteúdo na internet sobre formas de se ferir e, a cada 20, um procura saber sobre como se suicidar. Para a psiquiatra Luísa Caropreso, os últimos acontecimentos demonstram a necessidade de se conversar com responsabilidade sobre suicídio, oferecendo ajuda e orientando. “Dificilmente, uma criança ou adolescente saudável irá se submeter a esses desafios. Na maioria das vezes, são pessoas que apresentam transtornos psicológicos, sem uma base familiar, com histórico de abuso, abandono, negligência, com pais presos ou doenças que podem motivar a busca pelo suicídio”, ressalta Luísa. Os distúrbios mentais, conforme salienta a psiquiatra, são as maiores causas do atentado contra a própria vida. Mesmo assim, ainda há muitas dúvidas e preconceitos em torno do tema que dificultam a procura por auxílio profissional. “Para quem sofre com esses pensamentos, é fundamental recorrer a tratamentos que desenvolvam uma mudança de comportamento psicológico e melhorem a qualidade de vida”, observa. Em relação ao “Baleia Azul”, ela orienta os pais e familiares a impor limites nos seus filhos, principalmente nos conteúdos acessados na internet, monitorar o que eles procuram e fazem nas redes sociais e também acompanhar suas amizades, que podem influenciar nas suas atitudes. Pais devem manter relação aberta e próxima com filhos Com origem nas redes sociais da Rússia, o jogo “Baleia Azul” ganha atenção especial da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Jaraguá do Sul, segundo o presidente Cesar Aguiar. A primeira medida, conforme Aguiar, é a prevenção, considerando que a parcela mais suscetível da população com potencial para participar do jogo são os adolescentes que apresentam vulnerabilidade por causa dos transtornos psicológicos. “Trata-se de um problema de saúde pública. Muitas pessoas, infelizmente, ainda não entendem que depressão não é brincadeira. Vivemos em uma sociedade de cobranças, onde os adolescentes se sentem fragilizados e por isso se tornam alvos mais fáceis desses tipos de desafios”, considera o presidente.
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Presidente de Comissão da OAB, Cesar Aguiar afirma que o jogo também chama a atenção para problemas enfrentados pelos jovens na internet, como bullying e pedofilia. (Foto: Eduardo Montecino)
A Comissão busca junto às secretarias de Educação e Saúde do município uma forma de alertar e orientar efetivamente os jovens e os pais, que são os principais agentes neste momento, devendo estar atentos às mudanças de comportamento dos seus filhos. “São eles que devem ter essa aproximação com os jovens para identificar o que está ocorrendo. Se houver continuidade no comportamento mesmo após esse contato, é preciso buscar ajuda na rede de proteção do município”, explica Aguiar. Incitar, induzir ou auxiliar um suicídio é crime previsto por lei. E, no caso do jogo “Baleia Azul”, de acordo com o especialista em direito digital, Raphael Lopes, detectar os mentores do jogo é uma tarefa complicada, já que as mensagens passam por um sistema de comunicação entre vários países. “Além dos responsáveis originais, existem outros adolescentes participando e provocando outros usuários. Esses são identificados mais facilmente através do perfil no Facebook, e-mails ou mensagens via celular”, destaca Lopes. Os procedimentos a serem aplicados primeiramente envolvem uma conversa franca entre os pais da possível vítima do agenciador. Mas, se a situação for além, com ameaças ou exposição pública, a recomendação é procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência. O judiciário também pode encontrar o responsável pelo IP do computador de onde os comandos são distribuídos. As ameaças que os jogadores recebem se não cumprirem os desafios é outro ponto importante. De acordo com Lopes, os administradores acessam os computadores dos adolescentes e coletam dados confidenciais para coagi-los, dizendo que vão mostrar para os seus pais ou expor nas redes sociais. “Eles já estão debilitados e isso se torna apavorante, ainda mais se os mesmos não possuem um relacionamento próximo com os pais. O jovem se vê sem saída e acaba cedendo”, observa o especialista. Para Cesar Aguiar, o “Baleia Azul” também serve para chamar a atenção da sociedade a outros problemas que os jovens enfrentam na internet, como pedofilia, sequestro e bullying. “A questão reforça a consciência que os pais devem ter em relação às atitudes do filho, verificando o que ele compartilha e com quem conversa para manter a sua segurança. Estes atos também facilitam os pais a não ficarem paranoicos achando que os filhos estão participando do jogo só porque estão na internet, o acompanhamento deve ser contínuo”, avalia Lopes. Veja algumas dicas para ter um bom relacionamento com seu filho: • Respeite seu filho sempre. • Não bata. • Não humilhe em casa nem na frente de outras pessoas. • Não fique repetindo seus defeitos. • Não grite, converse. • Não seja tirano. • Não seja ditador. • Acompanhe a vida dele. Conheça e receba bem os seus amigos • Sejam amigos nas redes sociais. Mas não o faça pagar mico. • Incentive a pratica de esportes, sempre. • Acompanhe a rotina escolar. Converse com professores. Vá às reuniões, sempre. O auxilie nas dificuldades. Não subestime e nem cobre perfeição. • Adolescentes se afastam de pais que brigam o tempo todo, xingam e só criticam. E procuram as ruas, e o que as ruas oferecem? Se a relação com seu filho está desgastada, comece com uma boa conversa. Peçam perdão e permitam-se recomeçar uma nova relação. Como procurar ajuda • CVV (Centro de Valorização à Vida) Telefones: (47) 3275-1144 (Jaraguá do Sul) / 141 (telefone 24 horas para todo o país) pelo Site ou pelo Facebook: CVV – Centro de Valorização à Vida • Capsi (Centro de Atenção Psicossocial) O Capsi (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil) fica na rua José Emmendoerfer, 1.837, bairro Jaraguá Esquerdo. Telefone: 3370-6595 • Caps II (Centro de Atenção Psicossocial) O Caps II fica na rua Araquari, 287, no bairro Ilha da Figueira. Telefone: 3276-0604