Bebê de Jaraguá do Sul morreu em 5 de maio. Imagens: Redes Sociais/Divulgação
O padrasto do bebê de 10 meses morto em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, em 5 de maio foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina pelo crime de tortura seguida de morte. De acordo com o promotor criminal Marcio Cota, o padrasto exagerou ao 'corrigir' a criança para que parasse de chorar e causou a morte por traumatismo craniano.
“Ele disse que aplicava medidas corretivas ao bebê que considerava mimado, quando, na verdade, sabemos que um menino de 10 meses chora porque precisa da mãe”, disse Cota.
Castigos
O promotor concordou com a conclusão do inquérito do Polícia Civil, de que houve homicídio, mas acrescentou que a causa foi a tortura aplicada à criança.
“As testemunhas relataram que ele aplicava correções como deixar o bebê no chão chorando, em um cantinho da parede, até pegar no sono. Nesse dia, ele chacoalhou muito forte para parar de chorar e causou a morte. Muitas pessoas viram ele maltratando o menino”, contou o promotor.
Testemunhas
Segundo o promotor, o padrasto, se condenado, pode cumprir uma pena de 8 a 12 anos de prisão. Em no máximo 20 dias, deve ocorrer uma audiência em que as testemunhas devem ser ouvidas novamente.
“Foram convocadas 11 pessoas que presenciaram ou tiveram evidências da tortura, entre vizinhos, parentes, médicos e a enfermeira que atenderam o bebê”, afirmou o promotor.
Mãe
O promotor entendeu que a mãe não teve participação no crime. “Ela pode ter sido omissa, mas nada que caracterize crime, talvez ela tenha deixado a criança muito com o padrasto e não percebeu que ele torturava o bebê. Ao contrário do padrasto, que várias testemunhas afirmaram ter visto ele maltratando a criança, a mãe era cuidadosa”, declarou.
Prisão do padrasto
O suspeito foi preso pela Polícia Civil no dia 28 de maio. Conforme a delegada Milena de Fátima Rosa, o perito considerou que o bebê sofreu violência não apenas no momento da morte, mas em situações anteriores.
O homem continua no Presídio Regional de Jaraguá do Sul à disposição da Justiça.
Versões
Pela versão do homem, o menino morreu ao cair da cama para um colchão que estava no piso. A mãe disse que não viu o que aconteceu, que estava tomando banho na hora do fato.
"Ele disse que foi para a cozinha pegar um prato de comida e as crianças foram também. O bebezinho ficou em cima da cama e que nesse intervalo escutou um choro que logo parou. Quando ele foi ao quarto a criança estava de bruços em cima do colchão", contou.
O padrinho do bebê, apesar de não ter visto agressões, tinha suspeitas. "Ele (o bebê) tinha muito medo do padrasto. Quando ele estava brincando no chão e o padrasto chegava, ele corria, agarrava as pernas de alguém. Uma criança de 10 meses não pode ter esse tipo de medo", disse o padrinho.
Violência anterior à morte
Vários vizinhos testemunharam à polícia que a criança chorava muito durante a noite e uma testemunha afirmou ter presenciado o padrasto sacudindo o bebê na tarde do dia em que ele morreu.
"Os exames comprovaram a síndrome da criança sacudida. Então, ele foi sacudido várias vezes, o que levou a este traumatismo craniano. Uma testemunha falou que na tarde do dia em que a criança morreu viu o padrasto sacudi-la para que parasse de chorar. Então, a gente entendeu que ele é suspeito de praticar homicídio contra o bebê", afirmou a delegada.
Tentativa de socorro
Conforme a Polícia Civil, o bebê teve uma parada cardiorrespiratória em 5 de maio e um dos médicos que atendeu a criança contou à delegada que o bebê passou por duas reanimações. Uma por cerca de uma hora de atendimento, ainda na ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e outra de cerca de meia hora no Hospital.
"Ela teve a segunda parada cardíaca enquanto passava por um procedimento de raio-X. Os pais falaram que ela teria caído, mas não havia fraturas. Ela foi encaminhada às pressas para a UTI, mas não resistiu por muito mais tempo", conta a delegada.
Texto: G1 SC