Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017 aponta que foram registradas 61 mil mortes violentas intencionais no país no ano passado. Esse é o maior número já registrado pela série histórica do anuário. São 29,9 mortes a cada 100 mil habitantes. Realidade muito diferente de Jaraguá do Sul, que, de acordo com os registros da Polícia Civil, registrou no ano passado seis mortes, ou seja, 3,58 homicídios a cada 100 mil habitantes, considerando que a população da cidade em 2016 era de 167.300 pessoas. O índice fica muito abaixo até quando o recorte é Santa Catarina, que registrou uma taxa de 15 assassinatos por 100 mil habitantes. O Estado que registrou o índice mais alto foi o Rio de Janeiro, com 50 assassinatos a cada 100 mil habitantes. O anuário apresenta também um compilado de números de crimes violentos, como roubos e estupros. Jaraguá do Sul registrou no ano passado 88 roubos, ou seja, uma taxa de 52,6 roubos a cada 100 mil habitantes. Em Santa Catarina, essa taxa sobe para 279,6. No Brasil, o número sobe para 837,9 roubos. Se o assunto for furto de veículos, a cidade apresenta uma taxa de 59,1 furtos de carros a cada 100 mil habitantes. Muito abaixo dos 301,9 de Santa Catarina ou dos 291,1 furtos de automóveis registrados no Brasil. De acordo com o delegado regional Adriano Spolaor, esses números refletem o espírito ordeiro do cidadão jaraguaense. “São os fatores econômicos, culturais, sociais e geográficos da cidade. Aqui não tem rota de fuga para bandido e isso intimida um pouco a vinda de criminosos para cá. Os bandidos que vêm acabam, em sua maioria, presos. A questão da colonização é importantíssima para a nossa realidade. O desemprego baixo também”, ressalta Spolaor. O delegado regional afirma que o trabalho feito pelas polícias Civil e Militar, com o apoio do Ministério Público e do Judiciário, também contribui para os baixos índices de criminalidade. “Eu acho que o trabalho da Polícia Militar e Civil tem sido brilhante, principalmente no combate ao tráfico de drogas, incisivo e intolerante ao tráfico e uso de drogas”, explica, ao ressaltar que o número de roubos furtos e homicídios estão ligados à venda de entorpecentes. NÚMERO DE ESTUPROS É ALTO Se os números de roubos, homicídios e furtos a automóveis estão controlados, um número preocupante é o de estupros consumados em Jaraguá do Sul. Em 2016, foram registrados 65 crimes deste tipo na cidade. A taxa é de 38,8 estupros consumados a cada 100 mil habitantes. O número é um pouco abaixo do registrado em Santa Catarina (44,6), mas a diferença é gritante quando é comparada com a taxa nacional de 24 estupros a cada 100 mil habitantes. Mesmo que altos, a delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), Milena Fátima Rosa, comenta que esses números não refletem a dura realidade vivida pelos cidadãos de Jaraguá do Sul, já que os registros podem ser bem maiores. “Essas são as informações que chegam na Polícia Civil, fora aqueles que ficam na obscuridade. A maior parte desses fatos é classificado como estupro de vulnerável, em que as vítimas crianças e adolescentes menores de 14 anos”, lamenta. Ainda, segundo Milena, o preocupante é que os crimes contra menores são praticados dentro dos lares, em sua maioria por pessoas próximas, parentes ou vizinhos, que deveriam proteger as vítimas. “A criança acaba ficando acuada e não acaba relatando. A taxa é alta e ainda não representa a quantidade real de crimes. A melhor forma de prevenir esse tipo de conduta é informação. Pedir para a criança se cuidar e contar para o pai e a mãe qualquer tipo de comportamento estranho”, orienta a delegada. Por Cláudio Costa | Foto: Fábio Junkes/OCP