Homem que matou policial a tiros é condenado a 23 anos de prisão em SC

Foto: MPSC/Divulgação

Por: Claudio Costa

12/07/2023 - 15:07 - Atualizada em: 12/07/2023 - 15:18

O homem que matou um policial a tiros em setembro de 2021, em Chapecó, foi condenado a 23 anos de reclusão, em regime inicial fechado.

O Tribunal do Júri acolheu a tese apresentada pelo Promotor de Justiça Joaquim Torquato Luiz e condenou o réu por homicídio qualificado por motivo fútil e por porte ilegal de arma de fogo.

Conforme a denúncia oferecida pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), na tarde de 11 de setembro de 2021, o réu conduzia um veículo de sua propriedade, junto com três amigos.

Quando trafegava pelo bairro Efapi, ele colidiu seu veículo contra um carro estacionado e tentou fugir.

Enquanto tentava fugir, o acusado foi repreendido pelo sogro e por um cunhado da vítima, que era policial militar.

Inicialmente, o acusado permaneceu no local e chegou a pagar certo valor para o proprietário do carro atingido. Porém, depois desse acordo, o condenado e seus amigos agrediram e ameaçaram as pessoas que impediram a fuga, inclusive utilizando uma arma de fogo.

A vítima, que já estava se dirigindo para o local, foi comunicada sobre os fatos, especialmente sobre o fato de o réu estar portando uma arma de fogo.

Como o acusado foi identificado, o policial militar entrou em contato com o Centro de Operações da PM e obteve o endereço dele no bairro Jardim do Lago.

Por volta de 16h45, a vítima chegou ao endereço indicado e, primeiramente, conversou com familiares do réu.

Contudo, cerca de quatro minutos depois, o condenado chegou ao local e atirou contra o policial militar, atingindo-o na mão direita.

A vítima reagiu em legítima defesa e chegou a tentar fugir do agressor duas vezes, mas foi alcançado por ele e novamente alvejado.

Na terceira vez em que o réu atirou, ele atingiu o peito do policial militar, provocando o ferimento fatal.

Parte da ação criminosa foi registrada por uma câmera de segurança instalada em uma residência próxima.

Durante o julgamento, o promotor de Justiça Joaquim Torquato Luiz esclareceu que a vítima, na condição de policial militar, tinha o dever de, mesmo em seu horário de folga, agir em razão dos crimes cometidos pelo acusado após o acidente de trânsito, especialmente em razão do porte ilegal de arma de fogo.

“Logo, o acusado não poderia ter se insurgido contra a atuação do policial militar, o qual, em nenhum momento, praticou contra ele qualquer ato de violência”, enfatizou.

Comoção

Familiares da vítima acompanharam a sessão, que ocorreu na última sexta-feira (7). Ludmila dos Santos, cunhada do policial, relatou que, com o julgamento, todos esperavam que a justiça fosse feita.

“É uma dor que não vai passar nunca, jamais vamos esquecer, mas nós confiávamos que a justiça seria feita. Nós conhecíamos o caráter dele e a pessoa maravilhosa que ele era. Nós perdemos tudo isso; foi arrancado de nós na maior covardia”, ressaltou.

A sentença é passível de recurso, mas o réu não terá o direito de recorrer em liberdade, pois o juízo concluiu que a manutenção da prisão preventiva é necessária para a garantia da ordem pública.

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Claudio Costa

Jornalista pós-graduado em investigação criminal e psicologia forense e pós-graduando em perícia criminal.