Motorista está internado no Hospital São José, onde se recupera - Foto: William Fritzke
Motorista está internado no Hospital São José, onde se recupera - Foto: William Fritzke
Depois de ficar cinco dias desaparecido em meio à mata, Jeferson Clayton de Mello, de 28 anos, conseguiu encontrar ajuda na manhã de ontem. O motoboy havia desaparecido no último domingo (6), quando capotou o carro que conduzia, um GM Celta, em uma curva no Morro Boa Vista. As outras quatro pessoas que estavam no veículo com ele foram socorridas no mesmo dia em estado estável. Os bombeiros fizeram buscas no local, mas sem sucesso, e haviam passarado o caso para a Polícia Civil na terça (8).
Ao encontrar uma casa ontem e conseguir ajuda, Jeferson foi socorrido e levado para o Hospital São José, onde conversou com a reportagem e contou como conseguiu vencer o medo e enfrentar as dificuldades como a falta alimento e abrigo.
“Fiz o que pude para sobreviver, em nenhum momento pensei em desistir, mas sabia que poderia morrer”, disse, emocionado. Jeferson conta que enfrentou muitos momentos difíceis e relembra como tudo ocorreu: “Eu estava subindo o morro quando uma peça do carro estragou, perdi o controle e caí em uma ribanceira de quase 200 metros. Saímos todos do carro, mas eu acabei voltando para pegar o som e alguns documentos. Queria salvar o que podia, não tenho seguro. Ao voltar, escorreguei e caí em meio à mata, e foi a partir daí que começaram os piores dias da minha vida”, relembra.
Jeferson diz que no início pensou que logo encontraria ajuda, mas as coisas foram ficando difíceis. “No primeiro dia ainda tinha forças, andava pela mata em busca da saída, anoiteceu e me abriguei em um local com pedras, onde dormi. Utilizei muito do que aprendi no Exército para sobreviver. No outro dia, sem dormir muito bem, e já um pouco cansado e ferido, continuei andando e me machuquei muito com espinhos. Tive que tirar a roupa e ficar de cueca, pois estava começando a sofrer com assaduras pelo corpo. Achei uma cachoeira e fui seguindo o curso do rio, me deparei com várias cobras e animais peçonhentos, em todo momento pedia a Deus proteção”, relata.
Com medo de perder a vida, o jaraguaense lembrava com saudades da esposa, da filha e da mãe, e começou a ter receio de nunca mais vê-las. “Nos últimos dias, pensei que ia morrer, e escrevi em partes da minha carteira de trabalho mensagens para minha esposa e minha mãe. Pensava muito na filha que tenho para criar e escrevi no papel que a amo muito”.
Para tentar sobreviver, Jeferson caminhava durante os dias, bebia água de uma cachoeira e comia o que conseguia encontrar, foi quando, quase sem forças, ele encontrou ajuda. “Comi minhoca, madeira, folha, frutas, formiga e tomei água da cachoeira. Cada dia era uma nova luta. Hoje [ontem] já não aguentava mais, estava me arrastando, me escorando nas árvores. Quando vi tubos do Samae, comecei a segui-los até avistar uma casa, comecei a chorar, era minha nova data de aniversário acontecendo, pois acabava de ter certeza que eu sobrevivi.”
https://www.youtube.com/watch?v=NzoPfCmenCM